Teerã - O Parlamento iraniano, onde a maioria de políticos reformistas vive seus últimos dias, aprovou ontem uma lei que concede às mulheres os mesmos direitos de sucessão que os dos homens, pondo fim a uma das maiores diferenças existentes no país entre casais.
Segundo o novo texto, com a morte do cônjuge e na ausência de outro herdeiro, a mulher herdará, assim como o homem, a totalidade dos bens do falecido.
Se houver outros descendentes, o cálculo da parte da mulher incluirá todos os bens, especialmente as terras, e não mais apenas os móveis. A lei ainda precisa ser aprovada pelo Conselho dos Guardiães da Constituição, pilar institucional do regime, cujos membros, na maioria conservadores, têm sistematicamente rejeitado qualquer lei neste sentido.
No ano passado, este conselho impediu a ratificação pelo Irã da convenção internacional contra a discriminação das mulheres, ao considerar que algumas disposições eram contrárias ao Corão. ''A lei atual foi votada há 75 anos. É discriminatória. Se não for aprovada pelo Conselho, a enviaremos para o Conselho de Discernimento'', instância suprema de arbitragem, disse à AFP a deputada reformista Shahr-Banu Amani. A lei atual prevê que uma viúva herde um oitavo dos bens de seu marido se o casal tiver filhos, um quarto se não tiver e só a metade se não houver mais herdeiros.
Esta desigualdade familiar é um dos casos pelos quais lutam os defensores dos direitos das mulheres, como a prêmio Nobel da Paz Shirin Ebadi.

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