Nova York, EUA - As mulheres de todo o mundo contam com mais direitos do que nunca, mas ainda são alvo de discriminação no local de trabalho e com muita frequência são vítimas de violência doméstica, indicou um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) divulgado ontem.
O documento emitido pela ONU Mulheres elogiou o avanço das mulheres nas urnas, afirmando que atualmente o voto ''quase universal'' é a regra em todo o mundo, na comparação com um século atrás, quando apenas dois países permitiam que as mulheres votassem.
Mas apesar de as mulheres terem uma maior influência social e direitos políticos, as restrições no âmbito pessoal ainda atrasam seu desenvolvimento, segundo a nova agência das Nações Unidas liderada pela ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet.
''Frequentemente se nega às mulheres o direito ao controle sobre seus corpos, a voz na tomada de decisões e a proteção contra a violência'', informa o relatório do grupo, cujo nome oficial é Entidade da ONU para a Igualdade de Gênero e a Outorga de Poderes à Mulher.
Ao apresentar o documento, Bachelet criticou os países onde a lei discrimina as mulheres. ''Apesar de o império da lei ser um precioso princípio e se pode dizer que um dos pilares dos governos democráticos, em muitos países da lei ainda exclui as mulheres'', declara. E sustentou que ainda quando existem leis em vigor, ''há enormes brechas de implementação''.
O documento indica que 186 países ratificaram uma convenção internacional que previa a erradicação da discriminação contra a mulher e promovendo a igualdade de gênero. No entanto, 127 países não sancionaram o estupro dentro do casamento e 61 limitam o acesso ao aborto.
O relatório cobra que sejam redobrados os esforços ''para fazer com que os tribunais sejam mais acessíveis às mulheres, que a polícia seja menos hostil a suas denúncias e outras reformas necessárias para a administração de Justiça''.

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