O Centro do Coração e Diabetes da cidade de Bad Oeynhausen, no Estado da Renânia do Norte-Vestfália, no oeste da Alemanha, foi duramente criticado ontem por admitir que se recusou a realizar um transplante de coração em uma residente turca porque ela não fala alemão.
Segundo o centro hospitalar, a recusa no caso da paciente Fatma Elaldi, de 56 anos, faz parte do procedimento normal da casa. De acordo com a porta-voz do centro, Petra Mellwing, quando um paciente eventualmente não consegue entender as instruções de um doutor ou se comunicar com o pessoal do hospital depois da cirurgia, ele é eliminado da lista de espera para o transplante.
A decisão da clínica foi considerada infundada por outros grupos médicos da Alemanha e por membros do governo, além de ter gerado revolta entre a comunidade turca do país, que engloba cerca de 2 milhões de pessoas. Ainda, o assunto surgiu em um momento delicado para o país, quando se registra um aumento da violência xenófoba.
‘‘Os argumentos da clínica não me convencem’’, disse Safter Cinar, membro do Conselho Turco de Berlim e Brandenburg. ‘‘Não diria que foi racismo, mas é uma questão problemática. A medicina tem o dever de cuidar da saúde das pessoas e isso não pode depender do conhecimento do alemão.’’
Elaldi, que mora na cidade de Neuwid há 21 anos, sofre de problemas no coração desde que nasceu. No ano passado, ela recebeu um marcapasso. Na ocasião, ela foi informada pelos médicos de que não poderia sobreviver por muito tempo sem um coração novo.
Em fevereiro, no entanto, Elaldi foi notificada através de uma carta de que ela não era mais candidata. A clínica cita textualmente que ‘‘a falta de conhecimento da língua’’ como uma das razões principais para a recusa. A filha de Elaldi, que fala alemão fluentemente e que havia se oferecido como tradutora, chamou a decisão de ‘‘loucura’’.

mockup