Mulher indiana continua relegada à segundo plano
PUBLICAÇÃO
domingo, 10 de agosto de 1997
France Press Nova Delhi 
Embora Indira Gandhi tenha sido uma das primeiras chefes de Governo do mundo, meio século depois da independência da Índia as mulheres indianas continuam sendo relegadas a segundo plano. A emancipação ainda se limita às grandes cidades e à classe média. Até mesmo nestes segmentos, é difícil. É uma minoria o número de mulheres empresárias, universitárias, jornalistas ou ocupando cargos políticos.
Uma proposta de lei para reservar às mulheres um terço das vagas no Parlamento (atualmente ocupam 39 das 545) foi alvo de duros debates. Além disso, mesmo 50 anos depois da independência para as recém-casadas o desejo continua o de que possam ser mães de cem filhos.
Em alguns dos 600 mil povoados indianos, onde vive 70% da população, o segundo sexo continua determinando as cidadãs de segunda, exceto em alguns estado como o de Kerala (a sudeste), onde persiste um antigo matriarcado.
A discriminação começa antes do nascimento. Sushma Swaraj, porta-voz de um partido de oposição, denunciou a persistência da matança de meninas, atualmente praticada de forma mais sofisticada: agora que é possível saber o sexo do feto, as meninas são abortadas.
Em geral, as meninas recebem menos e menor comida e sua educação não é prioridade. Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), cerca de 40% das indianas em idade escolar não vão à escola. Dos 48% de analfabetos do país, a grande maioria é de mulheres.


