Um dos advogados acusadores de Augusto Pinochet disse ontem que poderá não participar da sessão da Corte Suprema, amanhã, sobre o caso do ex-ditador depois de sua mulher ter ficado gravemente ferida ontem num atropelamento que ocorreu ‘‘em circunstâncias muito estranhas’’. O advogado Eduardo Contreras, que promove várias denúncias contra Pinochet, disse que o acidente ocorreu ao mesmo tempo em que ele e vários de seus colegas estão recebendo ameaças anônimas.
‘‘O mais provável é que eu não possa estar presente’’, disse Contreras, referindo-se à sessão de amanhã, em que a Corte Suprema começará a examinar o pedido de suspensão de imunidade de Pinochet, já concedida pela Corte de Apelações. A mulher de Contreras, María Rebeca Vergara, está hospitalizada e, segundo uma versão da emissora de rádio Cooperativa, poderá perder uma das pernas.
Outro advogado, Hugo Gutiérrez, disse que a acusação está considerando a possibilidade de suspender a vista do processo como fez a equipe de defesa de Pinochet na semana passada à espera de que Contreras possa participar das alegações.
Contreras é o advogado que apresentou a primeira ação criminal contra Pinochet no Chile, em janeiro de 1998, representando a secretária-geral do Partido Comunista, Gladys Marín, que acusou o ex-ditador pelo desaparecimento de vários de seus camaradas, inclusive seu marido Jorge Muñoz.
O acidente ocorreu enquanto ele e sua mulher estavam parados em uma estrada vicinal para ajudar um outro motorista, o jornalista Oscar Sepúveda. Uma caminhonete vermelha que vinha em direção contrária bateu de frente em seu carro, praticamente destruindo o veículo e ferindo gravemente sua mulher.

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