Mulher-bomba mata 4 em Israel
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 15 de janeiro de 2004
Adel Zaanun<br>France Presse 
Gaza - Uma palestina matou ontem quatro israelenses, três deles soldados, no primeiro atentado suicida deste ano, cometido na passagem fronteiriça de Erez, na entrada da Faixa de Gaza. Logo que souberam do fato, as autoridades do Estado hebreu advertiram os palestinos de que correm o risco de sofrer as consequências deste atentado, ocorrido no principal ponto de passagem entre Israel e a Faixa de Gaza, usado diariamente por milhares de trabalhadores palestinos.
A autora do ataque suicida é uma mãe de família de 22 anos, algo sem precedentes já que, embora as mulheres realizassem atentados suicidas no passado, nunca o fizeram em nome da organização Hamas.
A jovem, membro do movimento radical e chamada Reem Saleh Al Riyachi, era casada e tinha dois filhos pequenos.
As brigadas Ezzedin Al Qassam, braço armado da Hamas, e as brigadas de mártires Al Aqsa, um grupo armado vinculado ao Fatah, movimento político ao qual pertence o líder palestino Yasser Arafat, reivindicaram esta operação em um comunicado conjunto.
O chefe espiritual do Hamas, xeque Ahmad Yassin, confirmou que este atentado é o primeiro cometido por uma ativista do movimento e assinalou que o ''fato de uma mulher participar pela primeira vez de uma operação do Hamas marca uma evolução qualitativa das brigadas Ezzedin Al Qassam''.
O último atentado suicida remonta a 25 de dezembro, quando um palestino matou quatro israelenses em uma parada de ônibus perto de Tel Aviv.
Sete pessoas ficaram feridas ontem três israelenses e quatro palestinos que estão hospitalizadas. Três dos israelenses mortos eram soldados e o quarto um agente de segurança.
O atentado ocorreu por volta das 9H30 locais (5H30 de Brasília) em um prédio usado por soldados e agentes de segurança israelenses para controlar os palestinos que vão trabalhar toda manhã numa região industrial adjacente a Erez e a outras partes do território israelense.
Terça-feira as brigadas Al Aqsa reinvindicaram um ataque com arma automática contra um automóvel numa estrada da Cisjordânia, no qual morreu um colono de 29 anos e dois ficaram feridos.
O atentado de ontem ''prejudica sobretudo os palestinos e vai lhes complicar a vida e lhes impedir a entrada em Israel'', disse Avi Pazner, porta-voz do governo hebreu.
O vice-ministro israelense de defesa, Zeev Boim, ameaçou um retorno ao bloqueio estrito da Faixa de Gaza que tinha sido suspenso nas últimas semanas.
A Autoridade Palestina culpou Israel por este atentado e não o condenou. ''Israel é totalmente responsável por tudo o que se passa, já que continua com a ocupação, com a construção do muro de segurança, o bloqueio e a escalada de violência'', declarou Nabil Abu Rudeina, principal conselheiro de Arafat. Abu Rudeina instou a comunidade internacional e a ONU ''a porem fim às agressões de Israel e obrigar o país a suspender suas atitudes agressivas''.


