Mujica começa 2º turno no ataque
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terça-feira, 27 de outubro de 2009
Silvana Arantes<br> Enviada especial 
Montevidéu - Críticas de um lado; silêncio de outro. Foi assim o dia seguinte à eleição dos dois candidatos que disputarão o segundo turno da corrida presidencial no Uruguai, segundo o resultado da votação de ontem. José Mujica, da governista Frente Ampla (esquerda), que obteve 47,49% dos votos, espinafrou as declarações pós-resultado de seu adversário, Luis Alberto Lacalle, do Partido Nacional (centro-direita), que teve 28,53% dos votos. Lacalle havia dito que o resultado da eleição foi providencial. A menção religiosa incomodou Mujica, ex-guerrilheiro do grupo Tupamaro, que julga descabido num país republicano, sugerir que uma eleição em que o povo define os destinos da nação possa ter o dedo de Deus. Mujica disse que a afirmação de Lacalle expressa um retrocesso e comparou-a com o pensamento do ditador espanhol Francisco Franco (1936-1975).
O candidato do Partido Nacional manteve silêncio durante o dia de ontem. Num comunicado à imprensa, sua assessoria informou que os dias de hoje e amanhã seriam dedicados a tarefas de planejamento e coordenação dessa nova etapa que representa o segundo turno, que acontecerá em 29 de novembro.
O percentual de votos do tradicional Partido Nacional foi inferior ao das eleições de 2004, em que a Frente Ampla venceu no primeiro turno, elegendo o presidente Tabaré Vázquez, o primeiro esquerdista a chegar à Presidência uruguaia. Pelas regras eleitorais uruguaias, o presidente é eleito por maioria absoluta de votos -deve obter 50% mais um do restante, incluindo os brancos e nulos. Na eleição de Vázquez, o Partido Nacional ficou com 34,3% dos votos.
A queda do Partido Nacional levou a maioria dos analistas políticos uruguaios a considerar como grande vencedor do pleito de domingo o também tradicional Partido Colorado, que fez o caminho inverso -recuperou-se de anteriores 10,3%, em 2004, para atuais 16,66%, com a candidatura de Pedro Bordaberry.
O papel de Bordaberry na disputa passou a ser considerado crucial, com a interrogação sobre sua capacidade de transferir votos para Lacalle. Ontem, ele anunciou apoio em caráter pessoal ao candidato opositor. O Partido Independiente, que teve 2,44% dos votos decidiu não apoiar nenhum dos dois candidatos, para não comprometer sua neutralidade, segundo declarou o candidato a presidente pela sigla, Pablo Mieres.
Lacalle foi presidente do Uruguai entre 1990 e 1995, numa administração que foi alvo de denúncias de corrupção, envolvendo funcionários de escalões inferiores. Mujica foi ministro de Vázquez, que encerra seu mandato com um índice de popularidade em torno dos 60%. O candidato a vice de Mujica, Danilo Astori, definiu a disputa como um plebiscito claríssimo entre duas gestões.


