Alguns chineses reagiram com irritação ontem a notícias de que seu governo iria liberar a tripulação de um avião espião americano que se chocou com um caça chinês.
‘‘Abaixo os Estados Unidos!’’ gritou um homem na frente dos alojamentos militares onde os 24 tripulantes teriam sido mantidos. A polícia tomou um pôster que ele carregava mas não o prendeu.
Mais tarde, outro homem promoveu um breve protesto semelhante nas proximidades da Casa de Convidados Nº 1 de Nanhang, em Haikou, a capital da ilha de Hainan, no mar do Sul da China.
‘‘O problema não foi resolvido, então não está certo permitir que eles voltem para casa’’, disse o dono de uma mercearia, que só deu seu sobrenome, Fu. ‘‘É como vir até minha porta e me dar um soco. Você não pode apenas dizer que sente muito, e ir embora.’’
A decisão de Pequim de liberar a tripulação depois de completar o que chamou de ‘‘apropriados procedimentos de viagem’’ atraiu rápidas críticas nos fóruns de discussão on-line chineses.
Tais fóruns são monitorados, e comentários considerados inaceitáveis para o governo são removidos. Mas eles se transformaram numa popular forma de manifestação pública durante o impasse, quando autoridades desencorajaram protestos de rua.
‘‘O governo mostrou mais uma vez fraqueza’’, lia-se em uma mensagem colocada no site do jornal do Partido Comunista, Diário do Povo, menos de uma hora depois do anúncio da planejada liberação.
O escritor disse que a decisão era um desrespeito a Wang Wei, o piloto chinês desaparecido transformado num herói nacional pela mídia estatal. Ele também citou o acidental bombardeio da embaixada chinesa em Belgrado por aviões dos EUA em 1999, durante a campanha da Otan contra Slobodan Milosevic.

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