Jerusalém - O primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, manteve na tarde de ontem uma reunião de duas horas com o colega palestino, Mahmud Abbas, em Jerusalém, anunciou a rádio pública israelense. O encontro, na residência do primeiro-ministro israelense em Jerusalém ocidental, baseou-se principalmente na questão dos prisioneiros palestinos, com a Autoridade Palestina exigindo de Israel que liberte um número maior de detidos do que está disposto a fazer, prosseguiu a rádio.
Israel prevê a libertação de apenas 350 prisioneiros de um total de 6.000 com a condição de que nenhum deles esteja envolvido em atentados sangrentos nem tenha sido julgado e condenado ou pertença aos movimentos radicais palestinos Hamas e Jihad Islâmica.
Segundo um dirigente israelense, Sharon exigiria, durante a reunião, que os serviços de segurança palestinos ''desmantelem e desarmem as organizações terroristas''.
Trata-se da quarta reunião entre os dois dirigentes desde que Abbas tomou posse no cargo em abril.
Tensão Foi muito tensa a reunião de duas horas entre o premier palestino Mahmud Abbas e o colega israelense Ariel Sharon, contou um dirigente palestino, que pediu para não ter o nome divulgado. Segundo ele, o clima de tensão foi devido à questão dos prisioneiros palestinos e ao prosseguimento do cerco ao quartel-geral de Yasser Arafat.
A delegação palestina exigiu que Israel desse liberdade de movimentos ao presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, cercado em seu quartel-general de Ramallah (Cisjordania) há 19 meses pelo exército israelense, que ocupou a cidade.
Sharon reagiu a princípio contra o pedido mas prometeu ''estudá-lo seriamente''.
Sobre os prisioneiros palestinos, Sharon não se comprometeu a libertar um número maior que o prometido, como exigiam os palestinos. No entanto, aceitou a criação de uma comissão mista para discutir as possíveis libertações adicionais, caso por caso.
Arafat O presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, firmou um decreto proibindo ''a incitação à violência'' e ''a incitação a violar os acordos conseguidos pela Organização de Libertação da Palestina'' (OLP), informou ontem a agência oficial palestina de notícias Wafa.
''Todo indivíduo que cometer tais atos será julgado de acordo com a lei'', acrescenta o decreto.
O ''mapa da paz'', plano internacional que prevê a criação de um Estado palestino antes de 2005, estabelece o fim ''dos atos de violência, do terrorismo e da incitação à violência''.
Para os observadores, Arafat adotou a medida mais como um meio de se manter ainda na cena política.

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