A capital norte-americana está em festa desde a noite de quinta-feira, quando o presidente eleito George W. Bush abriu uma série de celebrações que culminou com a posse, ontem, ao meio-dia, prosseguindo tarde e noite adentro.
Além dos políticos, as festas reúnem celebridades da música, do esporte e da TV, como a lenda do boxe Mohammad Ali, o ator Sylvester Stallone, o mago dos musicais Andrew Lloyd Weber, o veterano roqueiro Meatloaf e os cantores latinos Ricky Martin e Jon Secada.
Enquanto as cerimônias reservadas, como jantares e bailes de gala, devem contar, ao todo, com 75 mil convidados, a estimativa é de que centenas de milhares de pessoas acompanhem as celebrações públicas, incluindo a parada inaugural de ontem do Capitólio até a Casa Branca – com uma platéia estimada de 500 mil e um aparato de segurança de 3 mil agentes, atentos ao que ativistas de oposição prometem ser os maiores protestos desde a segunda posse de Richard Nixon, em 1973.
E não faltam protestos de todos os estilos. Alguns dos descontentes estão sintonizados com computadores de mão, telefones celulares e câmeras Web prontas para transmitir ao mundo quaisquer atos de violência policial.
Embora diferentes nas causas que defendem, os ativistas que protestaram contra o presidente George W. Bush estão unidos no emprego da mais recente tecnologia para desafiar o establishment.
Muitos dos manifestantes ‘‘se exercitaram’’ num grande protesto durante conversações sobre comércio mundial em Seattle em 1999. A tecnologia melhorou desde então. Por exemplo, Brian Goldman, 29 anos, criador de páginas na Web e se diz anarquista, está usando seu computador de mão Handspring Visor conectado a um Modem sem fio para descobrir deslocamentos da polícia, enviar alertas eletrônicos instantâneos a companheiros manifestantes e gravar quaisquer atos policiais que no seu entender violam direitos civis.
Já antecipando tendências do governo que foi empossado ontem, anuncia-se que George W. Bush tentará reativar a liberalização do comércio mundial, concentrando seus esforços em chegar a um acordo de livre comércio com a América Latina.
‘‘O governo Bush desenvolverá uma política comercial muito ativa e agressiva para permitir aos Estados Unidos conduzirem de novo o processo de liberalização do comércio’’, previu Fred Bergsten, diretor do Instituto para a Economia Internacional, um influente órgão privado de pesquisa em Washington.
George W. Bush, que várias vezes assinalou ‘‘a importância do sistema econômico internacional e do comércio mundial’’ para a segurança nacional dos Estados Unidos, disse, neste sentido, que a América Latina é uma prioridade.
‘‘A prosperidade dos Estados Unidos dependerá no século 21 de seus vizinhos americanos do Norte e do Sul’’, disse o futuro presidente durante sua campanha eleitoral.
A primeira grande iniciativa de Bush será sem dúvida lançada em abril próximo em Quebec, durante a Cúpula das Américas, assinalou Bergsten.

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