O presidente da 52ª Assembléia Geral das Nações Unidas, Hennadiy Udovenko, conclamou ontem os 185 países membros a aprovarem um pacote de reformas consideradas polêmicas e destinadas a reestruturar a ONU.
O chanceler ucraniano - eleito ontem na sessão de abertura, em substituição a Razali Ismail, da Malásia -, afirmou que reformar a Organização é uma ‘‘tarefa tremendamente difícil’’, mas que ‘‘deve ser executada se os objetivos da ONU têm verdadeiro significado para os Estados membros’’.
O novo presidente se identificou com as reformas defendidas pelo Secretário Geral da ONU, Kofi Annan, para quem elas são imprescindíveis a fim de que ‘‘esta casa funcione melhor’’.
Essas reformas, no entanto, vêm sendo recebidas com reservas pelos 185 países membros, entre eles os latino-americanos, uma vez que se fazem, acreditam, sob pressão dos Estados Unidos.
Na opinião de diplomatas da América Latina na ONU, as reformas não devem se basear exclusivamente em critérios financeiros.
‘‘Não estamos pretendendo mudar as estruturas da ONU, apenas responder à crise financeira, resultado do não-cumprimento por parte dos países do pagamento de suas contribuições’’, declarou à AFP a embaixadora da República Dominicana na ONU, Cristina Aguiar.
Vários diplomatas se queixaram de que o projeto de reforma - que busca, segundo Annan, dar maior eficácia e flexibilidade à Organização -, tenha como pano de fundo a disputa com Washington sobre o pagamento das contribuições em atraso do país, que se elevam a 1,5 bilhão de dólares.
‘‘As reformas não podem ser feitas apenas porque o país mais rico não paga o que deve. Isto atraiçoa o espírito da ONU’’, afirmou a diplomata dominicana.
Entre as medidas apresentadas por Annan figuram a criação de um cargo de vice-secretário geral e o projeto de centralizar em Viena a luta contra o narcotráfico, o crime e o terrorismo.
As reformas devem ser aprovadas por pelo menos dois terços dos 185 membros, o que não será fácil.

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