Mugabe não ordena a desocupação de fazendas
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 04 de maio de 2000
France Presse De Harare 
O presidente zimbabuano, Robert Mugabe, continua enfrentando de peito aberto a comunidade internacional, negando-se a ceder às pressões pela desocupação das propriedades invadidas, o fim da violência e a realização de eleições legislativas livres e limpas.
No lançamento de seu programa eleitoral para as legislativas anteontem, Mugabe lançou duras críticas à antiga potência colonial, chamando os britânicos de mentirosos, ao se referir à ajuda prometida para a reforma agrária do Zimbábue.
Após articular sua campanha eleitoral na redistribuição das terras aos negros e na radicalização das críticas a Londres, Mugabe tenta reforçar sua popularidade, seriamente atingida por uma crise econômica sem precedentes no país (50% de desemprego, 60% de inflação e pobreza de divisas).
A comunidade internacional continua pressionando Harare para que evacue as propriedades dos brancos, ponha fim à violência e organize eleições legislativas livres.
Vários presidentes da África austral, entre eles Thabo Mbeki (África do Sul) e Joaquim Chissano (Moçambique), reuniram-se recentemente com seu colega zimbabuano para pressioná-lo.
A União Européia (UE), a Comunidade britânica e a ONU também intervieram e alguns inclusive cogitaram a possibilidade de aplicar sanções contra Harare. O Reino Unido anunciou a suspensão da entrega de material militar ao Zimbábue. A Suécia pediu uma ação firme da UE. A ministra das Relações Exteriores da Suécia, Anna Lindh, disse que as sanções podem reforçar a popularidade de Mugabe.


