Mugabe e Tsvangirai estabelecem diálogo
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segunda-feira, 21 de julho de 2008
Folhapress 
São Paulo-Três meses após a eleição que desencadeou a morte de 120 partidários do opositor Movimento para a Mudança Democrática (MMD), o desalojamento de 200 mil e a desistência, no segundo turno, da candidatura de Morgan Tsvangirai (MMD), o presidente reeleito do Zimbábue, Robert Mugabe, e o líder da oposição encontraram-se ontem, pela primeira vez em dez anos. Eles assinaram um acordo segundo o qual estabelecerão bases para o ''trabalho conjunto num governo inclusivo''.
Nele, os dois lados prometeram criar em duas semanas uma ''solução genuína, viável, permanente e sustentável'' para a crise política no país.
Abandonando sua retórica incendiária, Mugabe disse que o encontro serviu para ''traçar um novo caminho de interação política''. No entanto ainda não foi definida qual seria a divisão de poder, após Mugabe ter-se elegido como candidato único.
O ditador de 84 anos está no cargo desde 1980, quando venceu os sete anos de guerra de independência que derrubou o governo de minoria branca da ex-colônia britânica.
Assinado no mesmo dia em que o Banco Central apresentou a nota de 100 bilhões de dólares zimbabuanos, o acordo prevê também o fim da violência de Estado contra opositores, uma nova constituição e a restauração da economia.
Entre os dois rivais, sentou-se o presidente sul-africano e mediador regional para o Zimbábue, Thabo Mbeki. Ao conseguir reuni-los, logrou um golpe diplomático, depois de críticas do Ocidente.
Tsvangirai só concordou com a mediação ao Mbeki, na semana passada, aceitar a participação nas conversas da União Africana, as Nações Unidas e 14 países do sul da África.


