A mudança climática na Terra pode ter consequências ‘‘significativas e irreversíveis’’ para a economia, a saúde pública e as paisagens de várias regiões do planeta, concluiu um grupo de especialistas da ONU reunido desde ontem em Genebra.
Num documento de 1.000 páginas intitulado ‘‘Mudança Climática 2001: impactos, adaptação e vulnerabilidade’’, o IPCC (Grupo Intergovernamental sobre a Evolução do Clima, GIEC em francês) confirma que os deltas, os pequenos estados insulares e as regiões áridas serão os mais afetados.
O relatório foi adotado na reunião de cientistas e diplomatas de uma centena de países iniciada ontem em Genebra, e será oficialmente publicado na próxima segunda-feira.
O aquecimento reduzirá as reservas de água na Ásia Central, Sul da África e nos países mediterrâneos. Nos países áridos do Terceiro Mundo, a seca e a escassez de água, já em alta pelo crescimento demográfico, se converterão em problemas mais graves.
Na maioria das regiões, incluindo a Europa, a frequência e o tamanho das enchentes aumentarão, e a qualidade da água se degradará.
Nos litorais, o número de zonas inundadas pelas tempestades aumentará consideravelmente daqui até 2080, supondo que a alta do nível do mar se limitará a 40 cm.
Em matéria agrícola, o rendimento dos cultivos pode crescer nas regiões setentrionais, mas diminuirá nas zonas tropicais.
O aquecimento climático fará aumentar as doenças parasitárias como a malária e dengue e a população de mosquitos. Nas cidades, a população doente sofrerá com a crescente umidade e o aumento das ondas de calor e da taxa de poluição.

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