A Alemanha iniciou ontem uma mutação política que se prenuncia difícil, um dia depois das eleições legislativas que terminaram com a era Kohl, entre as negociações para a formação de um novo governo e um começo de acerto de contas nas uniões cristãs do atual chanceler.
Ontem de manhã, os vencedores da eleição, os social-democratas (SPD, conduzidos por Gerhard Schroeder, convidaram os ecologistas (Verdes) para iniciar negociações com vistas a formar uma coalizão ‘‘vermelha e verde’’.
Convite que foi bem recebido pelos Verdes, dispostos a iniciar discussões ainda esta semana.
Schroder gostaria que a fase de conversações terminasse ‘‘em três ou quatro semanas’’ para submeter um governo à votação do novo Bundestag, a Câmara baixa do Parlamento, informou pouco antes o secretário geral do SPD, Franz Muentefering.
Desde domingo à noite, os Verdes entraram em posição de espera, limitando-se a destacar que tinham feito campanha com um só objetivo: governar com os social-democratas.
Tal coalizão disporá de uma maioria confortável absoluta no Bundestag, com 21 cadeiras a mais que o conjunto de seus adversários, segundo os resultados oficiais parciais, ou seja, 345 cadeiras contra 324.
Entretanto, resta encontrar um terreno sólido de acordo, o que não parece evidente. Cada interlocutor se aferra a princípios dos quais é difícil desfazer-se e cada qual anuncia que a coalizão será feita somente na base de um acordo coerente de governo.
Os itens de divergência não faltam. Para manter-se em disputa, os Verdes mudaram seu programa eleitoral adotado em março, que propunha entre outras coisas a substituição progressiva da Otan por um sistema de segurança europeu e a triplicação do preço da gasolina, equivalente a 2,77 dólares por litro em dez anos.
O programa verde, em definitivo, só reflete a corrente dos ‘‘realistas’’, embora a facção dos ultras tenha concordado em silenciar durante a campanha, mas conservando um ítem essencial, a desistência da Alemanha à energia nuclear.
Os próprios social-democratas terão de superar suas divergências que não faltarão entre um Gerhard Schroeder pragmático e o guardião do partido, que é Oskar Lafontaine.

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