Mudança exige boa dose de coragem
O que muitos cristãos norte-americanos não entendem é que, quando os asiáticos se convertem a Cristo, isso exige deles uma enorme coragem. Os convertidos costumam ser segregados pelos familiares e vizinhos e frequentemente tornam-se alvos de perseguição.
Nos últimos seis meses, os comunistas chineses demoliram cerca de 1.500 casas de oração em sua maioria cristãs cujos membros se recusaram a aceitar a orientação do Estado. Na Índia, oficialmente secular, muitos cristãos foram assassinados e suas igrejas foram destruídas desde a ascensão de grupos militantes hindus. Em nove cidades indonésias, várias igrejas cristãs sofreram atentados à bomba na noite de Natal: pelo menos 18 fiéis morreram e cerca de 100 ficaram feridos. Outros 90 cristãos foram assassinados por se recusarem a converter-se ao islamismo e cerca de 600 estão ainda detidos à força na ilha de Kasini.
Se o futuro do cristianismo está em algum continente, este é a África, na opinião de muitos especialistas das missões cristãs. O segundo ato da história do cristianismo será na África, afirmam esses especialistas. Exatamente como as tribos do norte da Europa se converteram à Igreja depois da decadência do Império Romano, da mesma forma, os africanos estão abraçando o cristianismo diante do maçiço caos político, social e econômico. Assolados por regimes corruptos, por uma pobreza esmagadora, pela epidemia de Aids e por guerras genocidas em Ruanda e no Sudão os africanos acham que a igreja é o único lugar ao qual podem recorrer para obter a cura, a esperança e a ajuda material de cristãos mais afortunados do Ocidente.
Mas existem também fatores culturais. Os africanos sempre reconheceram um mundo espiritual dentro do mundo empírico e existe, dentro das religiões tribais, muita coisa que facilita a adaptação ao cristianismo. Mas a cosmovisão tradicional africana inclui também feiticeiros e espíritos de todo tipo especialmente os dos ancestrais tribais. Todas essas presenças têm o poder de fazer o bem ou o mal sobre os seres vivos e por isso devem ser aplacadas ou afastadas através de fetiches.
Ainda hoje, diz Buti Tithagale, arcebispo católico de Bloemfontein, na África do Sul, os cristãos africanos estão mais próximos de suas raízes culturais do que do cristianismo. Se há uma morte na família, até mesmo padres e freiras irão cortar seus cabelos e lavar o rosto na bilis de um animal sacrificado para esta finalidade. O que isso me diz é que nós ainda estamos vivendo em ambos os mundos.
Mas muitos teólogos africanos insistem que sua herança tribal faz parte de uma tradição bíblica. Afirmam que havia africanos negros entre os discípulos de Jesus no dia de Pentecostes, quando a Igreja foi fundada e que eles levaram o cristianismo à Africa muito antes da chegada do cristianismo ao norte da Europa. Como afirma o arcebispo católico Peter Sarpong, de Kumasi, Gana, o problema não é como cristianizar a África antigo enfoque missionário mas sim como africanizar o cristianismo.
Na verdade, grande parte do que os missionários ocidentais combatiam outrora como feitiçaria tribal e adoração de ídolos, dirigentes eclesiásticos mais tolerantes encaram agora como o trabalho preliminar do Espírito Santo uma espécie de amanho da terra para o plantio de uma Igreja autenticamente africana.
A idéia não é nova: alguns dos primeiros padres da Igreja Ocidental consideravam a filosofia grega pagã como uma preparação divina para as verdades da revelação cristã. Da mesma forma, muitos teólogos africanos insistem que as antigas religiões tribais são mais cristãs porque são menos céticas em relação ao sobrenatural do que o cristianismo pós-iluminista do Ocidente moderno.
Os africanos estão muito mais próximos do mundo de Jesus do que os cristãos ocidentais, argumenta o teólogo protestante Kwame Bediako, de Gana. O que realmente está acontecendo hoje na África, acredita ele, é a renovação de uma religião não ocidental.
Apesar disso, vendo o que acontece realmente em igrejas locais, podemos concluir que algo muito diferente está ocorrendo. Quando os africanos lêem a Bíblia ou ouvem a pregação bíblica, vêem que Jesus era um curador dos males físicos e um exorcista. E a função primária dos xamãs tribais (espécie de pagés) foi sempre a de controlar os maus espíritos. Consequentemente, a forma mais poderosa e dominante de cristianismo africano hoje em dia é a da cura pela fé pentecostal importada diretamente do Ocidente.





