Genebra- Nem a Aids nem a gripe suína. A maior ameaça para a saúde humana no século XXI serão as mudanças climáticas, com efeitos devastadores, ondas de calor, falta de alimentos e, para os países tropicais como o Brasil, um avanço da malária, cólera e da dengue. A solução não está apenas em reduzir as emissões de CO2 (gás carbônico). Mas tirar milhões da pobreza e ainda promover uma mudança no padrão de vida da camada mais rica do planeta.
Pesquisa divulgada pelo ''Lancet Medical Journal'' e pela University College de Londres alerta que as maiores vítimas serão os pobres, mesmo que sejam os principais inocentes entre os maiores emissores de CO2. Já os sistemas de saúde de muitos países poderão ser colocados sob alta pressão e alguns até entrariam em colapso.
A ''injustiça social'' da questão climática é um dos focos do alerta. ''A desigualdade das mudanças climáticas - com os ricos causando a maioria do problema e os pobres inicialmente sofrendo mais - acabará sendo uma fonte de vergonha histórica para nossa geração se nada for feito'', afirma o estudo. A camada de 1 bilhão de pessoas mais pobre no mundo representa apenas 3% das emissões de CO2 o mundo.
No entanto, são essas as pessoas que primeiro morrerão de forma prematura diante do novo cenário. O estudo alerta que, com as mudanças climáticas, ''os ricos verão que estão vivendo em um mundo mais caro, inconveniente, desconfortável e mais imprevisível. Os pobres morrerão''.
Negociações para um acordo sobre mudanças climáticas devem ser concluídas até o final do ano. Mas ainda não há um entendimento entre os governos sobre qual deve ser o papel dos países ricos e dos emergentes. Até agora, os países ricos ainda não disseram quanto estão dispostos a dar em recursos financeiros para garantir uma ajuda aos pobres.
Mas, segundo os pesquisadores, a falta de uma ação coordenada pode levar a uma catástrofe. Segundo o estudo, as previsões do IPCC sobre a alta na temperatura mundial são conservadoras, indicando que uma elevação de 2 graus Celsius já seria suficiente para gerar amplos desastres. A alta nas temperaturas irão gerar um maior índice de transmissão de doenças como a dengue e a malária. No geral, o padrão de doenças transmitidas por mosquitos pode mudar de forma a atingir um maior número de pessoas. ''O número de mortes deve aumentar'', alertou.

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