Especialistas advertem: é indispensável não ultrapassar o aquecimento da Terra de 2 graus centígrados para evitar catástrofes
Londres- A urgência causada pela ameaça mundial de mudança climática exige uma evolução radical de atitude por parte dos Estados, advertiram ontem especialistas internacionais reunidos em Londres.
Cientistas de nove países que participam de um Grupo de Trabalho sobre mudança climática interpelaram, em particular, os Estados Unidos e os países em desenvolvimento.
É indispensável, segundo eles, não ultrapassar o aquecimento da Terra de 2 graus centígrados, em relação a 1750, para evitar futuras catástrofes.
A temperatura média do globo, destacaram, já é 0,8 grau maior que as medições registradas na aurora da revolução industrial. Acima de 2 graus se aceleram fenômenos como o degelo na Groenlândia, por exemplo, ou a seca, causando cataclismos naturais, mas também econômicos, sociais e políticos.
Um ponto de não-retorno, segundo o relatório, poderá ser atingido em 10 anos, pela ausência de uma ação conjunta de todos os países.
O Grupo formulou ontem 10 recomendações, coordenadas pelo ex-ministro (trabalhista) britânico Stephen Byers e a senadora americana (republicana) Olympia Snowe.
Essas visam as economias de energia, o desenvolvimento de fontes renováveis, a reorientação da agricultura e a criação de estruturas preventivas comuns entre Estados.
Destacando o papel que poderia desempenhar o G8, que reúne os sete países mais industrializados do mundo e a Rússia, os cientistas preconizam a adoção de um ''quadro de trabalho'' que permitiria integrar os Estados Unidos ao esforço coletivo, depois que Washington se recusou a assinar o Protocolo de Kyoto de 1997.
Stephen Byers estimou ontem que a tomada de consciência sobre as mudanças climáticas avançam em Washington, apesar de o presidente George W. Bush ''estar muito próximo da indústria petroleira''.
Nada será obtido, destacam enfim os cientistas, sem a cooperação de países ricos e pobres.
Para o economista britânico Adair Turner, um membro do Grupo, ''os países em desenvolvimento pensam que os países desenvolvidos devem agir antes, porque eles poluem mais, são mais ricos e possuem uma responsabilidade histórica''.
Diante disso, prossegue Adair Turner, os Estados Unidos, ''impulsionados pela faixa mais irresponsável de sua comunidade econômica'', afirmam que não podem assinar, enquanto a China e a Índia não o fizerem.
''É o problema clássico das negociações do desarmamento'', resumiu Adair Turner: ''cada um quer que o outro aja primeiro''. A fase atual, repetiu, ''é uma negociação para a redução das emissões de CO2''.
O relatório pressiona os países ricos auxiliarem os países pobres, condicionando sua ajuda ao desenvolvimento ao respeito de critérios ecológicos.

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