Muçulmanos protestam contra charge de Maomé
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sábado, 04 de fevereiro de 2006
Folhapress 
São Paulo - Centenas de muçulmanos realizaram ontem um protesto em frente à Embaixada da Dinamarca em Jacarta (Indonésia) devido à publicação de caricaturas do profeta Maomé em um jornal do país.
As caricaturas consideradas ofensivas pela comunidade muçulmana foram publicadas pela primeira vez em 30 de setembro, no jornal conservador dinamarquês ''Jyllands-Posten'', e reproduzidas por diversos jornais europeus, entre eles, Alemanha, Espanha, França e Noruega.
A tradição islâmica proíbe reproduções de imagens de seus profetas e considera que caricaturas são ''blasfêmias''. Em uma das caricaturas, Maomé aparece vestindo um turbante onde está escondida uma bomba.
Na manifestação, vários membros da organização radical muçulmana indonésia Frente dos Defensores do Islã ocuparam brevemente a recepção do prédio da Embaixada, antes de ser expulsos por agentes de segurança.
Do lado de fora do prédio, os manifestantes gritavam slogans como ''Vamos à Jihad!'' e exigiam um pedido público de desculpas do Embaixador dinamarquês, Niels Andersen, por meio da imprensa.
A Indonésia é o país muçulmano mais populoso do mundo, com 220 milhões de habitantes 90% muçulmanos.
Em Jerusalém, milhares de fiéis muçulmanos se manifestaram na Esplanada das Mesquitas contra a publicação das charges de Maomé na Europa. Na faixa de Gaza, muçulmanos se reuniram na mesquita de Al Omari.
No Líbano, milhares de refugiados palestinos realizaram protestos, ateando fogo a bandeiras da Dinamarca e da Noruega e pedindo que Osama bin Laden líder da rede terrorista Al Qaeda se vingue por Muhammad.
''Não ficaremos satisfeitos com protestos. A solução é o massacre daqueles que ofenderam o islã e o profeta'', afirmou o xeique Abu Sharif, porta-voz do grupo militante Osbet al Ansar, em uma manifestação no maior campo de refugiados do Líbano, Ein al Hilweh (sul). Em Bahrein, milhares de manifestantes marcharam com cartazes onde se lia: ''Abaixo à Dinamarca!'' e ''Abaixo a França!''.
Uma manifestação organizada pelo Hamas com cerca de 50 mil manifestantes pediam que os responsáveis pelas charges fossem punidos.
Em Tulkarem, na Cisjordânia, mais de 10 mil palestinos queimaram bandeiras da Dinamarca. Em Ramallah, manifestantes rasgaram uma bandeira francesa. Mais de mil fiéis se reuniram na mesquita de Al Azhar, no Cairo, e também queimaram bandeiras, gritando ''Abaixo os inimigos do islã.''
Em Riad, na Arábia Saudita, um líder sunita elogiou o que chamou de ''novo espírito de defesa dos muçulmanos''. ''É direito de todo muçulmanos mostrar alegria a nosso querido Muhammad'', afirmou Saleh bin Humaid.
A Arábia Saudita, berço do islã, retirou seu embaixador da Dinamarca no último mês, dizendo que o governo dinamarquês não fez tomou providências contra a primeira publicação das charges, em setembro último.


