Muçulmanos pedem paz para o Líbano
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domingo, 23 de julho de 2006
Fernanda Borges<br>Reportagem Local 
Sensibilizados com o conflito causado pela força militar israelense contra o povo libanês, muçulmanos de Londrina deram início ontem à tarde, a uma campanha de oração em prol da paz no Oriente Médio. ''Estamos reunidos aqui para orar, pedir a Deus que a situação do Líbano mude'', disse o sheik Yamani Abdul Nur Mohammad, da Mesquita Islâmica Rei Faiçal.
Em ambientes separados, homens no piso inferior e mulheres no piso superior da mesquita, os muçulmanos que voltam seus corpos para Kaaba (centro de peregrinação), em Meca rezam e pretendem ser reunir mais vezes na semana para dar continuidade ao objetivo, até que o conflito no Líbano acabe. ''Muitas crianças e pessoas inocentes estão morrendo nesta guerra que não traz benefícios para ninguém. É uma situação que nenhuma religião quer. Costuma-se dizer que os muçulmanos são terroristas e que judeus só agem contra o que os terroristas fazem. É uma situação complicada pois envolve muito o que a mídia coloca. Lamentamos por tudo isso e queremos paz para aquela região'', disse o sheik.
O comerciante Mohamad El Kadri nasceu no Líbano e veio para o Brasil com cinco anos de idade. Ele esteve ontem à tarde na mesquita para participar do momento de oração e disse que lamenta pelo fato da ONU (Organização das Nações Unidas) não tomar nenhuma medida mais séria em relação ao conflito. ''Como é que a ONU permite que o Líbano seja destruído em 15 dias? Muitos judeus e americanos querem colocar o mundo aos seus pés. Fizeram isso com a Afeganistão, Iraque e estão fazendo com o Líbano. Dizer que Israel está atacando o Líbano porque o grupo Hizbollah sequestrou dois soldados israelenses é só um motivo a mais. Se não fosse isso, inventariam outro motivo para atacar'', desabafou El Kadri
A presidente do grupo feminino islâmico de Londrina, Edna Salla, salientou que o grupo xiita Hizbollah que têm sido chamado de terrorista pela mídia não é terrorista, mas sim um grupo de pessoas que ajuda e se preocupa com o povo libanês. ''O Hizbollah só sequestrou os soldados israelenses depois que Israel atacou o território libanês. Eles sabiam que o Hizbollah revidaria. Fizeram isso de maneira pensada, para causar um conflito mesmo'', disse.
Ainda segundo ela, o grupo islâmico ajuda o povo libanês por meio de diversas ações assistenciais, como educação, alimentação e cuidados médicos. ''Não é um partido, mas existem pessoas do Hizbollah no governo libanês. Eles querem apenas defender seu território. Não tem nada a ver com terrorismo ou com Bin Laden, como muitos pensam''.
Para Edna, que tem parentes e amigos no Líbano, a situação naquele país é ''muito triste'' e ela pede até a colaboração de pessoas de outras religiões para rezar e pedir a Deus pelos libaneses. ''A população está sem comida, saiu de suas casas só com a roupa do corpo. Queremos paz e que o conflito acabe naquela região'', finalizou.


