Muçulmanos londrinenses jejuam e fazem penitência
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sexta-feira, 15 de outubro de 2004
Francismar Lemes<br>Reportagem Local 
Os muçulmanos acreditam que Deus tem três mil qualidades. Mil são conhecidas dos anjos. Outras mil pelos profetas. Trezentas estão descritas no Torá. Número igual as que estão nos Salmos de Davi e nos livros de Abraão. Apenas 99 delas estão no Alcorão, livro sagrado da religião que mais cresce no mundo e que abriu ontem na Mesquita Rei Faissal, em Londrina, o mês do jejum do Ramadã.
No mundo, eles somam 1,3 bilhão de adeptos, ampliando o rebanho em 15% ao ano. Na França, 30% da população segue Maomé profeta que praticamente recebeu das mãos do anjo Gabriel o Alcorão. Espalhando-se cada vez mais por países como Estados Unidos, Canadá, Venezuela e Colômbia, no Brasil são apenas cerca de 200 mil muçulmanos, que se reúnem para orações em aproximadamente 50 mesquitas.
Foz do Iguaçu, incluindo nesse número Cidad del Este, possui cerca de 40 mil adeptos. Em Londrina o número de muçulmanos é pequeno, sendo apenas 250 famílias, que professam a fé no Deus único, na mesquita Rei Faissal, a segunda a ser construída na América Latina, depois do templo de São Paulo.
Uma comunidade que celebra o Ramadã, considerado o quarto pilar da religião ao lado do princípio básico de acreditar em Deus e Maomé, como seu último mensageiro. A religião também prescreve cinco orações diárias, pregar o ''Zakat'' (Caridade), que todo muçulmano deve praticar e, finalmente, fazer a peregrinação a Meca, a cidade sagrada.
Não se pode ir a Meca sem visitar a Kaaba, primeira mesquita construída por Adão, posteriormente ampliada por Abraão com seu filho Ismael. O Ramadã tem a duração de um mês, celebração equivalente à Quaresma dos cristãos. Nesse período, os muçulmanos fazem penitência, abstendo-se de manter relações sexuais do nascer ao pôr-do-sol. Estão dispensados do jejum, crianças, mulheres grávidas ou menstruadas, doentes ou pessoas que estejam em viagem.
''Nesse tempo, há uma relativa igualdade social entre ricos e pobres praticantes da religião. Os mais ricos têm a oportunidade de sentir um pouco os sofrimentos dos pobres'', avalia Samir Ali Zebian, presidente da Sociedade Islâmica de Londrina e Norte do Paraná.
O Ramadã encerra com o Eid, a festa do desjejum em que os muçulmanos comemoram com doces e orações. Os adeptos do Islan, palavra que significa paz, se voltam ainda mais nesse período do Ramadã ao Deus que, de todas as suas três mil qualidades revela aos anjos, profetas e homens as suas 2999 qualidades, guardando para si o conhecimento de uma delas.


