Mina - Cerca de três milhões de peregrinos muçulmanos iniciaram ontem o ritual de lapidação de Satã no vale de Mina, perto de Meca, no primeiro dia do Aid al-Adha, a principal festa do Islã marcada este ano pela Primavera Árabe.
Trata-se da primeira festa do Sacrifício desde o início do movimento que derrubou regimes autocráticos em Tunísia, Egito e Líbia, e continua atingindo Síria e Iêmen, onde a contestação é fortemente reprimida. Comemora a fidelidade do profeta Abraão, disposto, segundo a tradição, a sacrificar seu filho Ismael.
No vale da Mina, perto da cidade santa de Meca, na Arábia Saudita, quase três milhões de peregrinos começaram o ritual da lapidação de Satã, que se consiste em lançar pedras na mais alta das três pilastras que representam o Diabo, o qual os muçulmanos chamam de Iblis. Esse ritual de alto risco, que no passado foi marcado por confusões que deixaram centenas de mortos, ocorria sem incidentes.
Segundo a tradição, é necessário lançar sete pedras no primeiro dia contra a maior das pilastras, de 30 metros de altura, e sete contra cada uma das três colunas no dia seguinte e no posterior. Para evitar as confusões dos anos anteriores, as autoridades sauditas aumentaram a fluidez no local. Agora, os fiéis chegam por uma ponte de vários níveis e as forças de segurança controlam o fluxo.
''O movimento é mais fluido e a organização, melhor'', comentou Mojtar Jan, que participa há oito anos como membro de um comitê organizador do Hajj, a maior peregrinação anual do mundo e um dos cinco pilares do Islã que os fiéis devem cumprir ao menos uma vez em sua vida caso tiverem condições para isso.
Um total de 2.927.717 fiéis participam este ano do hajj, dos quais 1.828.195 muçulmanos procedentes do exterior. Os demais são sauditas e moradores estrangeiros do reino, segundo o escritório saudita de estatísticas.

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