A peregrinação a Meca, que começa hoje, não é somente uma viagem espiritual para milhões de muçulmanos, mas também um lucrativo negócio onde circulam anualmente centenas de milhões de dólares. No decorrer dos últimos dez anos, a Arábia Saudita destinou quantias importantes a centenas de projetos de infra-estrutura na Cidade Santa, situada no Oeste do país, para garantir que a peregrinação anual se realize em boas condições.
Para os peregrinos, dois milhões este ano, a viagem a Meca pode ser muito cara, principalmente para os que vêm de regiões tão distantes como o subcontinente indiano ou América Latina.
‘‘Gastei 7.000 riyales (1.865 dólares). Cheguei há duas semanas e irei logo depois de fazer a peregrinação’’, no próximo fim de semana, contou Anwar, filipino de 34 anos, entrevistado ontem na Grande Mesquita de Meca. ‘‘Tive de trablahar muito duro para economizar este dinheiro, mas estou feliz de ter feito’’, acrescentou.
Cada peregrino procedente do estrangeiro deve pagar uns 600 riyales (160 dólares) pelos serviços prestados pelas autoridades sauditas nos lugares santos, principalmente para poder alojar-se nas tendas de campanha antiinflamáveis instaladas em Mina, perto de Meca.
Cerca de 50.000 tendas de campanha de fibra de vidro, climatizadas e equipadas com extintores, instaladas em um perímetro de cerca de 2,5 milhões de m2, podem abrigar mais de 2 milhões de pessoas.
Na festa do Sacrifício, que será celebrada segunda-feira pelos muçulmanos de todo o mundo, cada peregrino deve imolar um animal, geralmente um carneiro, que custa uma centena de dólares.
Mas os gastos da peregrinação não terminam aí. O alojamento em Meca é muito caro, principalmente nos hotéis situados perto da Grande Mesquita, o que obriga muitos peregrinos a optar por uma hospedagem em grupo. E, antes de partir, os peregrinos compram presentes e lembranças para suas famílias.
A peregrinação a Meca é um dos cinco pilares do islamismo. Todo muçulmano deve realizá-la pelo menos uma vez na vida.

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