Muammar Kadhafi quer liderar caminho para a paz
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terça-feira, 27 de abril de 2004
France Presse 
Bruxelas- O dirigente líbio Muammar Kadhafi afirmou ontem, em Bruxelas, que seu país pretende desempenhar um papel de ''líder para a paz'' no mundo, no primeiro dia de uma visita histórica à Europa, destinada a melhorar sua imagem, após anos de isolamento.
''A Líbia está determinada e comprometida a desempenhar um papel de líder para alcançar a paz no mundo'', declarou Kadhafi, pedindo a todos os Estados detentores de armas de destruição em massa (ADM), incluindo os Estados Unidos e a China, que sigam o exemplo de seu país e renunciem a seus arsenais.
Trípoli multiplicou as provas de boa vontade durante os últimos meses, e anunciou, em dezembro passado, o desmantelamento de seu programa de ADM, o que levou Washington a suavizar, na semana passada, as sanções econômicas que mantinha contra a Líbia.
Elogiando os ''gestos de coragem'' de seu convidado, o presidente da Comissão Européia, Romano Prodi, afirmou que a União Européia (UE) estava decidida a integrar ''assim que for possível'' a Líbia no processo de Barcelona, que define a cooperação entre a UE e os países mediterrâneos.
Prodi se declarou ''totalmente confiante'' de que os conflitos vigentes com Trípoli, ligados principalmente à indenização das vítimas de um atentado contra uma boate de Berlim, em 1986, e à detenção de funcionários médicos estrangeiros na Líbia ''serão resolvidos nas próximas semanas''.
''A Líbia é uma ponte entre a Europa e a África. Mas ela deve ser uma ponte para a paz e para a cooperação, e não uma ponte como foi no passado'', declarou Kadhafi à imprensa.
''Precisamos de paz, de estabilidade e de desenvolvimento. Enfrentaremos agora desafios novos e diferentes, e inimigos comuns, nós que já lutamos uns contra os outros no passado'', acrescentou o dirigente líbio, durante um longo discurso na companhia de seu ''irmão'' Romano Prodi.
De fato, os dois homens mantêm há cinco anos relações privilegiadas. Kadhafi pediu aos europeus e americanos que invistam na indústria líbia dos hidrocarbonetos, e incentivou a UE a cooperar com Trípoli para controlar a imigração clandestina procedente dos países africanos, cuja rota de passagem para os países europeus passa pela Líbia.


