MST quer ampliar área de invasões em São Paulo em 98
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segunda-feira, 22 de dezembro de 1997
Agência Folha Sandovalina 
A coordenação estadual do MST decidiu ontem ampliar, a partir de 98, as regiões em que realiza invasões de terras em São Paulo - hoje, a maioria das ações está restrita ao Pontal do Paranapanema e, em menor grau, Promissão, Andradina e Itapeva. Vamos massificar as ocupações em várias regiões do Estado. Não dá para falar onde ou quando, disse o coordenador nacional Delwek Matheus, logo após o encontro estadual do MST, encerrado ontem em Sandovalina, no Pontal do Paranapanema (extremo oeste de SP).
No encontro, os coordenadores definiram outras duas linhas de ação: viabilizar os assentamentos, com estímulo à agroindústria, e programas de educação para a militância. Matheus, único líder autorizado a dar entrevistas, afirmou que o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) vai partir para a ofensiva e radicalizar.
Segundo Matheus, os sem-terra vão reunir mais famílias, que podem ser deslocadas de suas regiões de origem, e buscar novas fazendas para invasões no próximo ano. Apesar da disposição de invadir terras, o MST não quer conflito com os fazendeiros, segundo seus líderes.
Será um ano eleitoral, político. Queremos mostrar que o país só muda a partir da organização e da ação dos trabalhadores, disse. As eleições ficaram fora da pauta do encontro, segundo o coordenador do MST, que disse não ter permissão para falar de política. Não temos nenhuma definição sobre as eleições.
Na avaliação dos líderes, a reforma agrária não avançou neste ano em São Paulo - a meta do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) é assentar 1.287 famílias. Nos próximos anos, o MST pretende chegar a 5 milhões de famílias no país. Foi um ano importante, pois conseguimos o reconhecimento da sociedade, principalmente com a marcha à Brasília, disse Matheus.


