LIMA - Uma semana depois da ocupação da residência do embaixador do Japão em Lima, o Movimento Revolucionário Tupac Amaru continua apostando no tudo ou nada na mais audaciosa de suas ações, dirigida pelo último de seus líderes em liberdade, Nestor Cerpa Cartolini, o ‘‘comandante Evaristo’’.
Para conseguir seu objetivo, mantém 140 pessoas em cativeiro na sede diplomática que os rebeldes assaltaram na terça-feira passada e exige em troca a libertação de seus companheiros na prisão, entre eles o chefe fundador, Victor Polay Campos, o ‘‘comandante Rolando’’.
Com esta operação, o grupo tenta uma recomposição dos duros golpes que recebeu das forças de segurança nos últimos anos e que quase o extinguiram, com apenas algumas colunas errantes na região amazônica central do país.
Segundo deu a entender o próprio ‘‘Evaristo’’, o grupo tenta assim e a médio prazo, se é que se realizam mesmo negociações com o Governo, ir a um ‘‘processo de paz’’ e a uma provável legalização do movimento, à maneira do colombiano M-19.
Nascido em 1984 e de orientação guevarista, o movimento tem atuado paralelamente, nos últimos treze anos, e à distância do maoísta Sendero Luminoso,.
Para o MRTA, Sendero é um grupo genocida e tipicamente terrorista, enquanto os tupacamaru se dizem ‘‘revolucionários e combatentes pela justiça social’’.
O grupo guevarista tomou o nome de Tupac Amaru, um indígena que na época da colônia protagonizou um dos maiores levantes armados contra os conquistadores espanhóis.
As primeiras ações do MRTA consistiram no assalto a veículos repletos de alimentos, que eram distribuídos nos bairros pobres de Lima, uma metodologia não utilizada pelo Sendero, que priorizou seus ‘‘comandos de aniquilamento’’ para matar autoridades do Governo.

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