MRTA quer estrangeiros em comissão negociadora
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sexta-feira, 17 de janeiro de 1997
Reuter 
LIMA - Pela primeira vez desde o início do sequestro, o líder do MRTA, Nestor Cerpa, admitiu que os integrantes do comando estariam dispostos a partir para o exílio como forma de resolver pacificamente a crise dos reféns em Lima. Também pela primeira vez, Cerpa afirmou que a exigência inicial do grupo - de que mais de 400 membros do MRTA presos no Peru fossem libertados - era negociável.
Os guerrilheiros do Movimento Revolucionário Tupac Amaru (MRTA) - que há um mês mantêm 74 reféns na residência do embaixador japonês em Lima - expressaram ao governo peruano que preferem se exilar na Europa, em vez de em algum país da América Latina, informou ontem a agência de notícias japonesa Kyodo, citando fontes diplomáticas. Segundo a agência, o governo de Tóquio estaria empenhado em encontrar um país que concedesse asilo aos terroristas.
Guerrilha adianta
que pode aceitar
asilo político em
algum país europeu
As declarações de Cerpa foram feitas a jornalistas por meio de uma transmissão de rádio. Nesse contato, Cerpa respondeu também positivamente à proposta do governo de formar uma comissão negociadora, aceitando que o arcebispo de Ayacucho, monsenhor José Luis Cipriani, a integrasse. O rebelde pediu ainda que representantes da Cruz Vermelha, de um país europeu e da Guatemala participassem da comissão.
Ontem, membros do governo peruano se recusaram a comentar as declarações de Cerpa e o negociador oficial de Lima, o ministro da Educação, Domingo Palermo, se limitou a dizer que os próximos passos do diálogo com o MRTA serão informados à imprensa oportunamente.
O relator de direitos humanos das Nações Unidas e especialista em temas de subversão, Enrique Bernales, disse que, apesar de ter uma aparência conciliadora, o discurso de Cerpa tem pontos que criam novo fatores de demora no processo de negociação. A sugestão do rebelde de incluir um europeu e um guatemalteco, segundo Bernales, implicam intromissão de outros países num problema que Lima vem apresentando como questão interna.


