de Lima

France PresseNegociaçõesO arcebispo de Ayacucho lê para a imprensa boletim sobre as conversações mantidas com a liderança dos guerrilheirosUm dia após o presidente peruano Alberto Fujimori ter viajado para a República Dominicana e Cuba à procura de um país que aceite dar asilo aos guerrilheiros do grupo Tupac Amaru, o comando rebelde rechaçou a possibilidade de exilar-se para pôr fim à crise. O grupo reafirmou que prefere ficar no Peru e insistiu que o governo concentre-se em negociar a principal exigência dos sequestradores: a libertação de mais de 400 guerrilheiros presos por acusação de terrorismo no país. Cerca de 20 integrantes do MRTA mantêm 72 pessoas cativas na residência do embaixador japonês em Lima há 77 dias.
‘‘Nossa prioridade primeira é ficar em nossa pátria, que é o caminho que sempre escolhemos para lutar ao lado de nosso povo’’, declarou o líder do grupo, Nestor Cerpa Cartolini em comunicado lido de dentro do cativeiro por meio de um transmissor portátil. Ele descartou especificamente um possível acordo para o exílio na República Dominicana, mas não mencionou diretamente o anúncio feito ontem por Fujimori de que o líder comunista Fidel Castro estaria disposto a receber os integrantes do grupo como asilados em Cuba.
‘‘Nesse sentido, somos claros e cortantes. Não temos nenhuma intenção de buscar exílio ou asilo em nenhum país que oprime seu povo’’, declarou. ‘‘Com respeito à disposição do governo cubano de acolher-nos, consideramos conveniente não nos pronunciarmos agora para evitar que nossas palavras sejam deturpadas.’’
Castro confirmou segunda-feira que aceitaria os integrantes do MRTA como ‘‘um dever moral, não uma conveniência’’. O Tupac Amaru surgiu inspirado na revolução que levou Castro ao poder em 1959.
Cerpa ainda acusou Fujimori ontem de causar falsas expectativas de que a crise esteja para resolver-se agora que já há um país formalmente disposto a dar asilo. Cerpa acredita que o presidente está aproveitando para tentar desviar a atenção da exigência de libertação dos presos do MRTA, com a qual não concorda. Sobre as oito rodadas de conversações mantidas com o governo até o momento, Cerpa foi cético: ‘‘Avanços significativos não há; o que há são trocas de opinião’’, disse.

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