A insubordinação do tenente-coronel Ollanta Humala revela a existência de uma sensibilidade política recorrente no exército peruano, expressada em movimentos clandestinos formados em seu interior.
Ollanta Humala reivindicou a figura do general Juan Velasco, que encabeçou entre 1968 e 1975 um governo de fato de tendência nacionalista, com ações pró-socialistas que, por sua arremetida contra as grandes propriedades privadas, foi apoiado por movimentos de esquerda.
Humala, que era líder do Grupo de Artilharia Antiaérea 501 de Tacna, disse que seu levante era uma ‘‘marcha de tendência etnocacerista’’, que germinou como grupo em 1989 dentro do exército. Referia-se assim ao marechal do exército peruano Andrés Avelino Cáceres, que em 1881 à frente de tropas regulares e de camponeses encabeçou nos altos andinos uma campanha de resistência às tropas chilenas, durante a Guerra do Pacífico.
A ação de Humala não provocou uma reação de solidariedade de outros oficiais militares nem de outras guarnições no resto do país.
Entretanto, um grupo anônimo de coronéis das Forças Armadas e a polícia expressou em março passado, que não iriam reconhecer o ‘‘ilegal candidato-presidente Fujimori de vencesse as eleições-gerais’’ de 9 de abril deste ano.
Os supostos oficiais indicaram que sua atitude assumida ‘‘não deve ser interpretada como um anunciado golpe de Estado’’. Ao contrário, serviria ‘‘para conservar uma autêntica democracia’’, destacaram os militares que assinaram, com apelidos, o documento.