Londres - O terceiro Foro Social Europeu (FSE) terminou ontem em Londres com um apelo à paz e a uma Europa mais social, e com a proposta de um calendário de mobilizações contra a globalização.
Os três dias de debates foram encerrados com uma manifestação que reuniu 70 mil pessoas no centro de Londres, segundo seus organizadores.
O próximo Foro será realizado de 26 a 31 de janeiro, em Porto Alegre, e a quarta edição está marcada para a primavera (boreal) de 2006, em Atenas.
Em Londres, o evento atraiu cerca de 20 mil pessoas vindas de 65 países, de acordo com os organizadores, com destaque para as delegações de França e Itália.
Na manhã de ontem, os movimentos sociais reunidos na Assembléia, única instância habilitada para realizar uma declaração, entraram em acordo para elaborar uma espécie de mapa para orientar os militantes sobre diversos temas e um calendário sobre as mobilizações anti-globalização dos próximos meses.
''Lutamos por uma Europa que se opõe à guerra e lutamos pela retirada das forças de ocupação no Iraque'', afirma o texto, que também pede ''o fim da ocupação israelense'' e denuncia ''as matanças na Chechênia e os conflitos na África''.
Na primeira edição do FSE, em Florença (Itália), os movimentos sociais convocaram uma jornada contra a guerra no Iraque para 15 de fevereiro de 2003, que reuniu 10 milhões de pessoas em todo o mundo. Este ano, o FSE foi realizado em um país cujo governo apóia ativamente a política americana no Iraque e, portanto, este tema esteve no centro dos debates, inclusive mais do que em Florença ou em Paris (local do segundo foro).
A questão da aprovação de uma Constituição da União Européia em um eventual referendo também esteve no centro das discussões e será objeto de uma mobilização prevista para 18 de junho próximo.
O texto também convoca, para 19 de março de 2005, uma mobilização em todos os países europeus e outra grande em Bruxelas ''contra a guerra, o racismo e a Europa neoliberal (...), por uma Europa de direitos e solidariedade entre os povos''.
Esta mobilização ocorrerá três dias antes da cúpula de dirigentes da União Européia em Bruxelas, nos dias 22 e 23 de março, dedicada ''ao processo de Lisboa''.
Na Cúpula de Lisboa, em 2000, os dirigentes da UE fixaram objetivos de crescimento econômico, assim como compromissos a favor de uma Europa mais social para 2010. Os manifestantes anti-globalização também propuseram um calendário geral de atos, com um chamado a uma mobilização em massa por ocasião da Cúpula do G-8 na Escócia, em julho de 2005''.

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