A Rússia alarmou ontem os Estados Unidos ao anunciar que estava enviando um navio de reconhecimento para o Mediterrâneo a fim de monitorar a crise de Kosovo e que poderia despachar até seis outras embarcações da Marinha
O anúncio seguiu-se a uma nova onda de críticas russas aos ataques aéreos da Otan contra a Iugoslávia depois que o primeiro-ministro Yevgeny Primakov voltou de mãos vazias de uma missão de paz a Belgrado.
‘‘Planejamos enviar um navio de reconhecimento para o Mediterrâneo’’, informou o ministro da Defesa, Igor Sergeyev, que acompanhou Primakov a Belgrado na terça-feira, numa entrevista coletiva conjunta com o ministro do Exterior, Igor Ivanov.
Ele disse que o navio partiria amanhã, e acrescentou: ‘‘A possibilidade de deslocarmos outros navios da Marinha russa para a zona de conflito está sendo considerada, mas até agora uma decisão não foi tomada’’.
O Ministério da Defesa estava ‘‘procurando meios mais decisivos que podem ser recomendados à liderança russa caso a situação mude’’, afirmou ele, sem entrar em detalhes.
O porta-voz do Departamento de Estado James Rubin disse em Washington que os Estados Unidos estavam preocupados com os planos russos.
‘‘Enquanto o Ministério do Exterior russo tem deixado bastante claro que a Rússia não pretende ser arrastada para o conflito nos Bálcãs... o deslocamento desses navios não parece ser um gesto particularmente útil’’, afirmou Rubin.
Moscou tem revivido em alguns momentos a linguagem da guerra fria para condenar os ataques da Otan contra a Iugoslávia, que visam parcialmente fazer com que Belgrado assine um acordo de paz com os albaneses étnicos em Kosovo, dando autonomia à turbulenta província.
Mas a Rússia está respeitando um embargo de armas da ONU contra a Iugoslávia e quer manter relações com o Ocidente.
Um alto funcionário do governo dos EUA disse em Moscou que a Rússia suspendeu alguns projetos bilaterais, como a revisão de um grande programa militar, mas estava ansiosa por limitar os danos.
Como um exemplo de cooperação, ele afirmou que a Rússia e a Otan haviam concordado com um documento em Viena abrindo caminho para a adoção do tratado das Forças Convencionais na Europa (FCE).
O tratado era um pilar da segurança durante a guerra fria, limitando o número de tanques, peças de artilharia, aviões de combate e outras armas não nucleares que os Estados poderiam manter e mobilizar. Ele precisa de emendas para se adaptar às necessidades do mundo pós-soviético.
Primakov manteve-se determinado a buscar um acordo de paz apesar de ter fracassado em persuadir a Otan a suspender os ataques aéreos depois de ter tido seis horas de conversações com o presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic, na terça-feira.
‘‘A Rússia irá usar toda sua força para pôr fim a esta não inteligente, e como a consideramos, profundamente trágica e equivocada operação (da Otan)’’.

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