Moscou mantém ataque na véspera da cúpula OSCE
France Presse
De Grozny, Rússia
As forças russas desafiaram o Ocidente ontem na Chechênia ao tomar o controle da cidade símbolo de Bamut e ao continuar bombardeando Grozny, apesar dos apelos para a negociação na véspera da cúpula da Organização da Segurança e Cooperação Européia (OSCE) de Istambul. Os bombardeios russos se intensificaram ontem contra a capital chechena, segundo um correspondente da AFP presente em Grozny.
Os ataques russos também tiveram como alvo Argun (centro), Serjen Iurt (sudeste de Grozny), Urus Martan, Atchjoi Martan e Gueji (oeste) assim como os distritos de Chatoi e Itum Kalinski (sul), deixando um saldo de 54 mortos em 48 horas segundo fontes chechenas.
Fontes militares chechenas confirmaram à AFP que os russos tomaram ontem a cidade de Bamut, símbolo da resistência chechena durante a primeira guera contra Moscou (1994-1996).
Enquanto o presidente russo Boris Yeltsin partia para Istambul para defender a ofensiva russa ante os ocidentais, um general russo advertiu que ninguém impedirá a Rússia de por ordem em sua casa. Rússia não é nem o Iraque nem a Iugoslávia e toda tentativa de intervenção (estrangeira) será bloqueada com firmeza, advertiu o chefe das forças aéreas russas, general Anatoli Kornukov.
A Organização Médicos sem Fronteiras (MSF), premio Nobel da Paz, enviou cartas abertas aos participantes da cúpula em Istambul para que peçam o impedir os bombardeios.
Moscou justifica sua operação na Chechênia pela luta contra os terroristas, a quem acusa de ter cometido os atentados que deixaram um saldo de 293 mortos na Rússia em agosto e setembro.
Os bombardeios que a Rússia iniciou no dia 5 de setembro contra a Chechênia provocaram a morte de 4,5 mil pessoas, segundo Grozny e 200 mil refugiados.
A Alta Comissária da ONU para os Refugiados (ACNUR), Sadako Ogata, anunciou ontem em Moscou que viajará hoje a Chechênia para avaliar com exatidão a situação dos refugiados que segundo Moscou não é catastrófica.





