Moscou ignora alerta e mantém ataque
Françoise Michel
France Presse
De Moscou
Moscou prosseguiu ontem com seus bombardeios no sul da Chechênia, insensível ao aumento das pressões ocidentais, em particular americanas e francesas, em torno de um conflito que a Rússia quer tratar exclusivamente como um assunto interno.
O tom dos ocidentais aumentou quando falta uma semana para a cúpula de Istambul (nos dias 17 e 19, terça e quarta-feira da semana que vem), onde Moscou corre o risco de ficar no banco dos réus.
Apesar da má visibilidade devido às primeiras neves do Cáucaso do norte, os russos efetuaram mais de 20 saídas aéreas nesta terça-feira, para os arredores de Grozny, capital da república separatista, Argun, Gurdermes (leste de Grozny) e Urus-Martan (sudoeste), segundo o ministério da defesa.
Os helicópteros MI 24 martelaram as bases dos rebeldes perto de Gudermes, a segunda cidade da Chechênia, matando vinte milicianos, segundo a agência de informações militares russa AVN.
Os russos também dispararam quatro mísseis terra-terra com direção à Chechênia desde sua base de Kartsa (Ossétia do Norte), segundo um correspondente da France Presse.
Os disparos de artilharia russa na noite de anteontem para ontem deixaram cinco mortos em Grozny e seus arredores, segundo a mesma fonte.
Grozny afirma que 3.200 pessoas, em sua maioria civis, morreram desde o início dos ataques, a 5 de setembro. Não foi possível verificar esta cifra através de fontes independentes, mas levou o governo norte-americano a elevar o tom contra Moscou. Washington acusou o governo russo de violar as convenções internacionais sobre a guerra, inclusive a Convenção de Genebra.
A Rússia se equivoca na Chechênia e sofrerá forte pressão internacional durante a cúpula da Organização de Segurança e Cooperação na Europa, alertou o chefe da diplomacia francesa, Hubert Vedrine.
Ao se aproximar a reunião de Istambul, o governo de Grozny intensificou sua ofensiva diplomática e uma delegação parlamentar partiu para Istambul para defender a causa chechena, segundo a agência Interfax.
Diante do aumento das pressões internacionais, Moscou repetiu que a ofensiva russa na Chechênia é uma questão interna.
O premier russo, Vladimir Putin, reafirmou que a operação contra Chechênia era o único caminho possível para destruir os terroristas.
Por sua vez, o ex-premier russo Viktor Chernomirdin estimou que os Estados Unidos não estão em condições de criticar Moscou, já que violou todos os princípios humanitários ao bombardear e destruir tudo na Iugoslávia na guerra contra a República Federal da Iugoslávia lançada pela Otan, pos ocasião da crise no Kosovo.
A intervenção militar russa na república independentista do Cáucaso tem como objetivo oficial eliminar os terroristas islamitas, suspeitos perante Moscou de comandar os atentados que em setembro deixaram 293 mortos na Rússia.
O número de refugiados chechenos já supera 183 mil pessoas, segundo dados oficiais.





