Moscou e Tóquio selam aproximação
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sábado, 01 de novembro de 1997
Sebastian Smith France Presse Krasnoyarsk, Rússia 
France PresseMudança de rumoYeltsin abraça e cumprimenta Hashimoto, quebrando o geloO presidente russo Boris Yeltsin recebeu ontem com um forte abraço o primeiro-ministro japonês Ryutaro Hashimoto, e o levou a dar um passeio em barco ao início do encontro informal de Krasnoyarsk (Sibéria), destinado a forjar uma amizade entre os dois dirigentes.
A névoa e a chuva fina em Sosna, uma fazenda governamental nos arredores de Krasnoyarsk, não esfriou o ânimo dos dois líderes, que trocaram um efusivo aperto de mãos, fundindo assim um pouco o frio que reinou nas relações entre os dois países durante décadas.
Hashimoto, que é considerado grande fotógrafo amador, tirou uma foto de Yeltsin com uma câmara compacta (instantânea) e depois lhe presenteou com um aparelho idêntico. O presidente russo deu um forte abraço em Hashimoto, diante das dezenas de jornalistas reunidos diante da mansão de dois andares, onde estão sendo realizadas as conversações.
O primeiro-ministro japonês pareceu um pouco surpreso, mas logo se refez e começou a rir. Yeltsin aproveitou para levá-lo a uma pequena pescaria em um bote branco no Rio Yenisei. Em perfeita concordância com o caráter informal do encontro, os dois líderes usavam roupa campestre. Espero que seja o início de uma grande amizade, havia declarado ontem Yeltsin, ao chegar a Sosna, onde os russos construíram um pequeno heliporto e mobilizaram grande número de policiais.
DivergênciaYeltsin explicou que a idéia do encontro foi de Hashimoto, mas que ele escolheu o local, Sosna, por ser representativo da Rússia, forte, com reservas colossais, únicas. Tóquio e Moscou mantiveram décadas de péssimas relações, principalmente pela reivindicação japonesa sobre as quatro ilhas Kurilas do Sul (Extremo Norte do Japão), ocupadas pelas tropas soviéticas no final da Segunda Guerra Mundial.
Mas, com a presença regular da Rússia nas reuniões do Grupo dos Sete principais países industrializados, a aproximação começou em abril do ano passado e deu um salto importante nos últimos meses. Embora os dois países ainda não tenham firmado formalmente um tratado de paz, os imperativos econômicos que movem Moscou e Tóquio parecem pôr a divergência sobre as Kurilas em um segundo plano.


