Associated Press
de Moscou
Moscou pediu ontem medidas urgentes que obriguem o Exército de Libertação de Kosovo (ELK) a respeitar incondicionalmente os termos propostos no acordo de paz para a província sérvia de Kosovo.
O furor foi provocado pela acusação feita pelo líder político do ELK, Hashim Thaqi, de que a detenção do chefe de pessoal do grupo, Agim Ceku, no sábado, por soldados russos, foi um ato político premeditado e que as tropas da Rússia deveriam ser colocadas sob o controle da Otan.
Os russos explicaram que Ceku foi detido porque não apresentou documentos que comprovassem ser ele um dos poucos oficiais do ELK com permissão de usar uniforme guerrilheiro.
Ainda na madrugada de ontem, uma potente explosão danificou uma igreja sérvia ortodoxa em construção em Pristina, sem causar vítimas. A Otan classificou o atentado como um ataque covarde.
A explosão provocou poucos danos, mas sublinhou ainda mais a já fraca confiança da minoria sérvia na capacidade da força de paz da aliança ocidental, Kfor, de protegê-la.
Ontem, duas colunas de tratores carregados com miseráveis possessões rumaram para a fronteira provincial de Kosovo, rebocando uma multidão de sérvios cheios da violência em sua vila montanhosa e da incapacidade da Otan em protegê-los.
A cena tem sido frequentemente repetida em toda a província desde que uma campanha de bombardeios da Otan obrigou forças iugoslavas, lideradas pelos sérvios, a pôr fim a uma repressão na província e permitir a entrada de soldados de paz - seguidos por mais de 700 mil refugiados albaneses étnicos, muitos deles sedentos por vingança. Mais de 100 mil sérvios já fugiram desde então, e mais estão partindo diariamente, sabotando firmemente o objetivo declarado do Ocidente de transformar Kosovo numa sociedade pacífica e multicultural.

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