O número de mortos no ataque dos rebeldes hutus à Capital do Burundi, Bujumbura, subiu ontem para 284, segundo um porta-voz do Exército. A maioria das vítimas é de civis e rebeldes. Na quinta-feira, o balanço oficial indicava que ‘‘mais de’’ 200 pessoas haviam morrido no violento ataque de quinta-feira. Mas o número foi corrigido ontem pelas autoridades. As vítimas foram atingidas por disparos de armas pesadas num ataque ao aeroporto da Capital considerado ‘‘importante’’ pelo Exército.
A emissora de televisão do Burundi adiantou a cifra de mais de 100 mortos civis no contingente. Dez rebeldes também teriam perdido a vida no ataque lançado contra o aeroporto e nos combates que se seguiram. Quatro militares morreram e outros seis ficaram feridos, segundo a fonte. O balanço anterior do Exército dava a cifra de 30 rebeldes e dois militares mortos.
Segundo o Exército, o aeroporto foi atacado nas primeiras horas da manhã de quinta-feira por um grande número de rebeldes hutus - entre mil e 2 mil - que foram rechaçados pelo Exército e recuaram para o Norte. Os rebeldes também atacaram um campo militar encarregado da segurança do aeroporto. Um porta-voz do Exército afirmou à televisão burundinesa que entre os agressores figuravam hutus ruandeses pertencentes às antigas Forças Armadas Ruandesas (do governo hutu radical anterior) e as milícias ‘‘Interhamwes’’.
CarnificinaA maioria dos civis que morreram em consequência dos combates vivia no povoado de Rukaramu, localizado nas proximidades do aeroporto da Capital. Segundo as autoridades militares, as lojas do aeroporto e vários carros foram destruídos. A imprensa não pode constatar a magnitude do ataque, já que as autoridades proibiram o acesso ao local.
A guerra civil - considerada também uma guerra tribal deixada pelos colonizadores europeus - e as matanças já deixaram 200.000 mortos em Burundi, em sua maioria civis, desde outubro de 1993, quando foi assassinado o presidente hutu eleito Melchior Ndadaye, numa tentativa de golpe de estado.
Em sua mensagem de Ano Novo difundida na passagem do Ano Novo, o major Pierre Buyoya, que está no poder desde o golpe que conduziu em 25 de julho de 1996, enfatizou que a situação havia ‘‘melhorado no País’’ e que a população estava cada vez mais contrária à ação dos rebeldes.

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