Mortos na Ásia chegam a mais de 23 mil
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terça-feira, 28 de dezembro de 2004
France Presse 
Colombo - Pelo menos 23.625 pessoas morreram e 30 mil estão desaparecidas no sul e sudeste da Ásia devido ao terremoto que afetou a Indonésia e causou uma série de tsunamis sem precedentes que devastou zonas costeiras de nove países da região. Mais de 1 milhão ficaram desabrigados. Entre os mortos estariam uma diplomata brasileira e o filho de 10 anos. Um grupo de londrinenses que visitam a Índia nada sofreu (veja reportagem nesta página).
O balanço total aumentou porque o exército e os rebeldes tâmeis do Sri Lanka informaram que quase 11.000 pessoas morreram nesse país. Os números podem sofrer novo aumento se forem confirmados os cálculos do primeiro-ministro tailandês Thaksin Shinawatra, segundo os quais 2.000 pessoas podem ter morrido no devastador maremoto de domingo no sul de seu país.
O cataclismo de 9 graus na escala Richter, que pode se tornar um dos mais catastróficos do último século, provocou uma série de tsunamis (ondas gigantes com até 10 metros de altura) que deixou debaixo d'água milhares de quilômetros de costas em sete países do sudeste asiático: Índia, Sri Lanka, Indonésia, Tailândia, Malásia, Maldivas e Bangladesh.
O tremor, registrado no chamado ''cinturão de fogo'' do Pacífico, foi o mais violento desde o registrado no Alasca em 1964 (9,2 graus na escala Richter) e um dos cinco mais poderosos desde 1900.
Muitas crianças estão entre as vítimas na região do sudeste asiático, onde muitos turistas aproveitavam o feriado de Natal.
Na Índia, pelo menos 6.279 pessoas morreram, das quais 2.780 no estado de Tamil Nadu e pelo menos 3.000 nas ilhas Andaman e Nicobar, situadas no Golfo de Bengala, não muito longe do epicentro do terremoto, segundo a agência Press Trust of India
Povoados inteiros foram devastados pela água e as ambulâncias cruzam o país carregadas de mortos. Os necrotérios da cidade de Madras não têm mais condições de receber cadáveres.
O país sofreu com extrema violência o impacto do terremoto seguido de enormes ondas, que varreram centenas de quilômetros da zona costeira do país.
As regiões turísticas foram particularmente afetadas e muitas instalações ficaram totalmente destruídas.
Um novo terremoto de 6,5 graus na escala Richter voltou a sacudir ontem o remoto arquipélago Nicobar.
Uma grande operação de socorro foi iniciada ontem no Sri Lanka, onde o balanço do maremoto de domingo chega a quase 11.000 mortos, 70 dos quais turistas estrangeiros, e superava os 1.550 desaparecidos. O exército informou que entre os desaparecidos há 50 turistas estrangeiros.
Os militares informaram que 10.029 civis e 48 agentes de segurança, morreram em toda a ilha, com exceção das áreas controladas pelo grupo rebelde Tigres de Libertação do Elam Tamil (LTTE).
O país pediu a ajuda da comunidade internacional e as Forças Armadas foram mobilizadas nas zonas afetadas.
Na Indonésia, onde se situou o epicentro do sismo, pelo menos 4.725 pessoas morreram ao norte da ilha de Sumatra, segundo o ministério da Saúde, que acrescentou que povoados inteiros da zona costeira desapareceram.
O maior número de vítimas fatais, pelo menos 3.000, foi registrado na região de Banda Aceh, no extremo norte da província de Aceh na ilha de Sumatra.
A polícia e os serviços de emergência acreditam que o número pode aumentar ainda mais.
As ilhas Maldivas - um pequeno paraíso turístico do Oceano Índico - também foram atingidas. Trinta e duas pessoas, entre elas um turista britânico, morreram e a maior parte da capital, Male, ficou inundada. O aeroporto teve que ser fechado.
Na Tailândia, o primeiro-ministro Thaksin Shinawatra disse que 2.000 pessoas podem ter morrido no devastador maremoto de domingo no sul de seu país.
''Atualmente há 900 mortos e mais de mil desaparecidos... Calculo que o balanço de mortos pode chegar a dois mil'', afirmou Thaksin aos jornalistas no avião que o levava de volta a Bangcoc depois de ter visitado as áreas afetadas no sul do país. ''Espero que até sexta-feira tenhamos recolhidos todos os corpos'', acrescentou.
O ministério do Interior informou um pouco antes que até as 16H00 locais (06H00 de Brasília) havia 1.157 desaparecidos, entre eles 134 estrangeiros.
A região sul foi a mais afetada, em especial as ilhas de Phuket e Phi Phi que estavam repletas de turistas que passaram o Natal nas localidades. ''Tudo está destruído, exceto os dois grandes hotéis de Phi Phi Don'', disse um policial.
Na Malásia, pelo menos 50 pessoas perderam a vida, incluindo crianças e idosos.
Diante do temor da chegada de ondas gigantes a suas praias no Oceano Índico, vários países africanos - Quênia, Ilhas Maurício, Seicheles e Somália - ordenaram a evacuação das áreas costeiras.
Vários países ocidentais, como França, Alemanha e Grã-Bretanha, instalaram células de crise para ajudar os milhares de turistas que passam o final de ano na região.
O papa João Paulo II pediu à comunidade internacional que ajude as populações afetadas.
A ONU, os Estados Unidos, Grã-Bretanha, Canadá, Austrália, França, Alemanha, Holanda, Rússia e Turquia ofereceram ajuda de emergência.
A Comissão Européia autorizou a liberação de três milhões de dólares para ajudar nas situações de emergência.


