Mortos em Jacarta podem chegar a 500
Suharto resiste e promete ordem. Enquanto isso, milhares de estrangeiros continuam fugindo. Os EUA mobilizam VII frota
France Presse

France Presse
Terror econômicoIncêndio em shopping matou mais de 200. Suharto não renunciaJacarta continuava ontem contando as vítimas de três dias de incêndios e saques, que causaram entre 350 e 500 mortos, enquanto aumenta sem cessar o número de estrangeiros que abandonam a cidade, que se encontrava ontem em uma calma tensa.
Depois da descoberta de mais 118 cadáveres entre as ruínas calcinadas de um prédio comercial de três andares, o total de mortos esta semana se elevava no mínimo a uns 350. Mas os jornais e outras fontes aumentavam a contagem para mais de 500.
Enquanto isso, milhares de estrangeiros continuam deixando Jacarta, depois da partida anteontem à noite de um primeiro contingente de cerca de dois mil norte-americanos. Na capital, há cerca de 11 mil cidadãos dos Estados Unidos, o que tornaria sua eventual evacuação em uma das maiores operações desse tipo já organizadas. Assim, Washington está pensando em recorrer, se for necessário, a navios da VII Frota com sua força de intervenção de marines.
Os estrangeiros decididos a permanecer na Indonésia já começam a sentir problemas de abastecimento, pois os mercados foram saqueados ou fecharam e protegeram suas portas.
O verdadeiro problema, a curto prazo, pode ser o da água potável. A água da rede da cidade e dos poços privados não é absolutamente potável e a população depende da água acondicionada em garrafões de plástico. Nas ruas, os grandes eixos de circulação da metrópole de mais de 10 milhões de habitantes estão vazios.
O presidente Suharto, confirmou ontem que não renunciará ao poder e que não vacilará em exercê-lo com o máximo rigor. Aos 76 nos, o ex-general confirma que não jogará a toalha, nem mesmo agora quando os pedidos de renúncia chegam inclusive das suas fileiras.
Segundo anunciou o presidente da Assembléia Consultiva do Povo, Harmoko, Suharto ‘‘tomará todas as medidas à sua disposição para o bem e a continuidade do Estado e da nação’’. Ele recusou-se a confirmar se o presidente vai utilizar os ‘‘plenos poderes’’, que lhe foram renovados em março passado durante sua reeleição para um sétimo mandato, pela Assembléia Consultiva do Povo (Parlamento designado pelo próprio presidente).

mockup