Bagdá As tropas americanas no Iraque sofreram novos ataques, enquanto a polêmica sobre os contratos para a reconstrução do país, a reestruturação da dívida e as acusações contra a empresa americana Halliburton deixaram o presidente George W. Bush em situação embaraçosa.
Um soldado americano ferido em um ataque contra um comboio militar sexta-feira em Ramadi (100 km ao oeste de Bagdá) não resistiu e faleceu ontem, elevando a 197 o número de soldados mortos em combate desde o fim das principais operações militares no dia 1º de maio.
Na manhã de ontem em Tikrit, feudo do ex-presidente Saddam Hussein, um iraquiano morreu e outro foi capturado pelas tropas americanas após um tiroteio, segundo uma fonte militar dos Estados Unidos.
Por outro lado, o governo americano enfrenta críticas por sua decisão de excluir dos contratos para a reconstrução do Iraque as empresas dos países que se opuseram à intervenção militar liderada por Estados Unidos e Grã-Bretanha, ao mesmo tempo que o Pentágono acusou a empresa Halliburton de ter sobrefaturado os contratos do Iraque. A Halliburton, corporação comandada até 2001 pelo atual vice-presidente americano Dick Cheney, antes de ocupar o cargo no governo Bush, ganhou os contratos para a reconstrução do Iraque sem processo de licitação e, de acordo com o Pentágono, sobrefaturou os preços da gasolina vendida para o Iraque desde 30 de setembro em 61 milhões de dólares.
''Se alguém cobrou a mais do governo, o dinheiro deverá ser reembolsado'', afirmou Bush à imprensa na Casa Branca.
Esta acusação não poderia surgir em momento pior para o governo Bush, que já é alvo de fortes críticas por sua decisão de excluir dos principais contratos para a reconstrução do Iraque os países contrários à guerra anglo-americana para derrubar Saddam Hussein.
Esta medida provocou veementes protestos de vários países, como Alemanha, Canadá, Rússia e França, que acreditavam que Washington teria uma outra postura em relação a eles após as principais operações militares.
A decisão de Washington também prejudica James Baker, o enviado especial de Bush para negociar a dívida iraquiana, que iniciará uma viagem pela Europa amanhã. Ele visitará Paris, Berlim e Moscou, principais credores do Iraque, que têm o poder de reduzir o problema financeiro do país, causado pela dívida acumulada durante o regime de Saddam Hussein.
No âmbito diplomático, o ministro iraquiano das Relações Exteriores, Hoshyar Zebarim, chegou a Arábia Saudita, etapa de sua viagem pelas monarquias do Golfo, onde pediu a extradição dos ex-dirigentes iraquianos.

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