Mortes de civis por drones serão investigadas
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sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
Bernardo Mello Franco<br>Folhapress 
Londres - A Organização das Nações Unidas (ONU) iniciou ontem uma investigação sobre mortes de civis provocadas por ataques com drones, os aviões não tripulados que se tornaram uma das principais armas de guerra dos EUA na gestão de Barack Obama.
O inquérito pode levar à abertura de processos em cortes internacionais caso seu relatório final, que será apresentado em outubro, conclua que os ataques são ilegais e configuram crimes de guerra.
Além dos EUA, Israel e Reino Unido também têm usado a tecnologia para atingir alvos sem expor suas tropas a fogo cruzado. Os três países sustentam que os aviões sem piloto são importantes no combate a grupos terroristas.
A investigação será comandada por Ben Emmerson, relator especial da ONU para contraterrorismo e direitos humanos. Ele disse ontem que o "crescimento exponencial" no uso de drones é um desafio às leis internacionais.
"O objetivo central desta investigação será examinar os indícios de que os ataques com drones têm causado, em alguns casos, um número desproporcional de mortes de civis", afirmou, em Londres. "Os drones podem e têm sido usados, com muita facilidade e frequência, para produzir efeitos devastadores."
Segundo o Bureau of Investigative Journalism, uma ONG que estuda o assunto, os aviões não tripulados mataram cerca de 800 civis, sendo 176 crianças, de 2004 a 2012.
Emmerson disse que os números parecem corretos e atacou a falta de transparência dos países que adotaram os drones como arma militar.
"Enquanto o muro de silêncio for mantido, maior será o espaço para versões erradas ou exageradas sobre o uso dos drones. E isso é perigoso porque contribui para a radicalização dos conflitos."
O relator especial para contraterrorismo disse contar com a colaboração dos governos, mas frisou que os EUA ainda não se comprometeram a abrir as informações da CIA.


