Morte de Pinochet encerra era de ódio, diz Bachelet
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quinta-feira, 14 de dezembro de 2006
Folhapress 
São Paulo - A presidente do Chile, Michelle Bachelet, disse ontem que a morte do general Augusto Pinochet simboliza a partida de um marco de violência, mas não abre uma nova etapa na história do país. ''Não creio que seja uma nova etapa. A nova etapa o país começou em 1990, quando reconquistamos a democracia e iniciamos o processo de consolidação das instituições democráticas e um processo de reencontro'', afirmou em entrevista coletiva, na primeira vez em que falou publicamente da morte do ditador.
Mas, disse a presidente, ''(a morte) sinaliza a partida de uma referência de divisões, de ódio e de violência no país''. Bachelet falou ainda sobre o discurso feito pelo capitão do Exército e neto do ditador, Augusto Pinochet Molina, 33 anos, durante o funeral do avô, em que defendeu o golpe de 1973.
''Na cerimônia institucional, um oficial, passando por cima da linha de comando, sem autorização para falar, irrompeu expressando opiniões políticas contra um Poder do Estado e de setores da sociedade civil'', afirmou Bachelet. ''Isso constitui uma falta gravíssima. Estamos seguros de que o Exército fará o que corresponde.''
Na noite de terça-feira, o Exército disse que seriam adotadas as ''medidas disciplinares que o caso merece''. Até ontem, porém, não foi anunciado que tipo de sanção será aplicado.
O pai do capitão, Augusto Pinochet Hiriart, disse ser ''muito provável'' que seu filho tenha pedido baixa do Exército, segundo o jornal ''La Tercera''. Já seu tio, Augusto Pinochet Ugarte, disse que o capitão efetivamente pediu a baixa há dois dias - antes de fazer o discurso.
Um informe oficial apontou que nos três dias de distúrbios registrados no país após a morte de Pinochet 145 pessoas foram detidas e 50 policiais foram feridos.
Homenagem - A família do ex-ditador prestou ontem um tributo em uma cerimônia particular na capela de sua propriedade de Los Boldos, cerca de 100 quilômetros a oeste de Santiago. A família recebeu as cinzas de Pinochet, que foi cremado após seu funeral realizado na terça-feira.
A imprensa chilena informa que a cerimônia religiosa foi celebrada pelo capelão militar Iván Wells, e que além da família - a viúva Lucía Hiriart, os filhos e os netos - estavam o comandante do Exército, general Oscar Izurieta, e alguns sub-oficiais.


