Morte de Kirchner provoca incertezas na Argentina
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Luiz Antônio Alves<br>Agência Brasil 
Brasília - A morte do ex-presidente argentino Néstor Kirchner na madrugada de ontem, aos 60 anos, já está provocando nos meios políticos análises e especulações sobre o futuro do país, principalmente porque toda a movimentação já se encaminhava para a sucessão da presidente Cristina Kirchner, nas eleições presidenciais do ano que vem. Um dos aspectos mais importantes que estão sendo salientados nessas análises é que o Casal K, como Nestor e Cristina são conhecidos, não deu a devida importância ao estado de saúde do ex-presidente.
Os problemas de Néstor Kirchner começaram em fevereiro passado, quando o ex-presidente foi hospitalizado para uma cirurgia na carótida. No dia 11 de setembro, Kirchner passou por uma angioplastia para a colocação de um stent, prótese metálica instalada no interior de artérias coronarianas obstruídas por gordura, para normalizar o fluxo sanguíneo.
Alguns analistas dizem que o Casal K não tornou pública a preocupação com a saúde do ex-presidente para não transformá-la no episódio central da política argentina. O analista Eduardo van der Kooy acredita que a morte de Kirchner sinaliza tempos difíceis para a corrente política conhecida como kirchnerismo, que nada mais é do que um prolongamento do peronismo, denominação genérica aplicada ao Movimento Nacional Justicialista e que remete ao ex-presidente Juan Domingo Perón, que governou a Argentina de 1946 a 1955 e de 1973 a 1974.
Outra dúvida é como a presidente Cristina Kirchner levará o mandato até o fim sem o apoio do marido, considerado a verdadeira força por trás do governo. Além de se preocupar com o governo em si, caberá a Cristina Kirchner comandar o processo sucessório dentro do Partido Justicialista, que era dirigido pelo marido.
Os problemas políticos da presidente Cristina Kirchner começaram no ano passado, quando os candidatos que a apoiavam em vários distritos eleitorais argentinos perderam as eleições legislativas, que renovaram o Congresso Nacional. Foi a primeira vez que o kirchnerismo sofreu derrota desse porte, que significou a perda da maioria política no Congresso. Na província de Buenos Aires, o ex-presidente Kirchner e o partido oficialista Frente para a Vitória perderam a liderança para o candidato da oposição, Francisco de Narvaez.


