Morte de imigrante e filha causam comoção nos Estados Unidos
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quarta-feira, 26 de junho de 2019
France Presse 
CIUDAD VICTORIA, México - Um imigrante salvadorenho e sua filha de quase dois anos morreram afogados quando tentavam atravessar o Rio Bravo na altura da cidade de Matamoros, no estado mexicano de Tamaulipas, em sua viagem rumo para os Estados Unidos, uma imagem que provocou um grande choque.

Os corpos foram encontrados na segunda-feira (24), de acordo com os documentos judiciais.
Óscar Martínez Ramírez, 25 anos, que trabalhava como cozinheiro em El Salvador, colocou a filha por dentro de sua camisa para tentar atravessar o rio, mas os dois se afogaram diante do olhar da mãe da menina antes de chegar ao lado americano. A fotografia dos corpos provocou uma grande comoção.
A família estava em Tapachula, no estado de Chiapas, desde a semana passada. No domingo (23), eles decidiram seguir para os Estados Unidos.
A mãe, de 21 anos, também tentou atravessar o rio, acompanhada por um amigo da família, mas os dois desistiram e retornaram ao lado mexicano. O pai e a menina se afogaram no forte fluxo do rio antes de chegar à fronteira americana, segundo as autoridades.
GOVERNO TRUMP
A visita de uma ONG a um centro da polícia fronteiriça americana no Texas onde estavam mais de 250 crianças voltou a expor o tratamento recebido pelos menores de idade que tentam entrar de forma irregular nos Estados Unidos.
Em meio à polêmica, John Sanders, chefe do Escritório de Alfândega e Proteção Fronteiriça (CBP, na sigla em inglês) e principal funcionário de controle fronteiriço dos Estados Unidos, renunciou ao cargo.
Sanders, no cargo desde abril, anunciou em uma carta divulgada pela imprensa que deixará o posto no dia 5 de julho.
A partida de Sanders ocorre após as revelações das condições de insalubridade em que viviam os menores retidos em um centro da Patrulha Fronteiriça na cidade texana de Clint, um sinal da crescente pressão sobre os recursos públicos diante do aumento das detenções na fronteira sul.
A visita de uma ONG a este centro, situado 30 km a sudeste de El Paso, mostro várias irregularidades, entre elas a superlotação do espaço pelos internos e a falta de higiene e de atendimento médico nas instalações.
Uma investigadora do Human Rights Watch (HRW), Clara Long, contou ter visto um "menino de três anos, com os cabelos emaranhados, tosse seca, calças imundas e olhos que fechavam de cansaço".
O presidente Donald Trump declarou a jornalistas estar muito preocupado com as condições nos centros e exortou o Congresso a aprovar um financiamento de emergência para enviar à fronteira sudoeste.
Poucas horas depois, a Câmara de Representantes, de maioria democrata, aprovou um texto para desbloquear 4,5 bilhões de dólares em ajuda humanitária. "Asseguramos que as crianças tenham comida, roupas, produtos de higiene, um teto e cuidados médicos", declarou a presidente da Câmara, Nancy Pelosi.
Segundo Trump, pessoas más usam as crianças para se aproveitar das leis de imigração americanas. "É uma forma de escravidão o que estão fazendo com crianças pequenas", disse.
A lei americana estabelece que menores sem acompanhantes não devem passar mais de 72 horas detidos pela CBP. Passado este prazo, devem ser devolvidos às suas famílias ou colocados aos cuidados de um centro de acolhida do Departamento de Saúde.
Mas a situação que se vive na fronteira superou as previsões. Só em maio, a CBP deteve 144.000 imigrantes irregulares.


