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m de leitura Atualizado em 12/04/2021, 15:05

Morte de homem negro pela polícia na região em que Floyd foi asfixiado gera manifestações

PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 12 de abril de 2021

Lucas Alonso - Folhapress
AUTOR autor do artigo

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Bauru - A menos de 20 quilômetros do local onde George Floyd foi assassinado por um policial em maio do ano passado e horas antes da retomada do julgamento do agente que o asfixiou, outro homem negro foi morto depois de ser baleado durante uma abordagem policial na tarde de domingo (11).  

Segundo uma nota divulgada pelo departamento de polícia de Brooklyn Center, cidade com cerca de 30 mil habitantes nos arredores de Minneapolis, agentes pararam um veículo por volta das 14h (horário local) para autuá-lo por uma infração de trânsito. A lei estadual proíbe objetos pendurados no retrovisor alegando que eles podem prejudicar a visibilidade dos motoristas, e o carro em questão tinha um desodorizador pendente.  

O motorista, Daunte Wright, 20, saiu do veículo a pedido dos policiais. Na versão dos agentes, Wright, um homem negro, tinha um mandado de prisão em aberto e, ao receber voz de prisão, voltou para dentro do veículo. Em seguida, um dos policiais atirou. Wright teria dirigido por mais algumas quadras, até que bateu em outro veículo e morreu no local.  

Katie Wright, mãe do motorista morto, disse a jornalistas que recebeu uma ligação do filho dizendo que ele tinha sido parado pela polícia devido ao desodorizador pendurado no retrovisor. Katie disse ter ouvido, pelo telefone, policiais gritando para que o filho saísse do carro.  

"Eu ouvi brigas e os policiais dizerem: 'Daunte, não corra'", disse ela, aos prantos. A ligação foi encerrada e, quando conseguiu ligar novamente, quem atendeu o telefone foi a namorada de Wright, que disse a Katie que seu filho estava morto no banco do motorista. Ainda segundo a polícia, toda a ação foi filmada pelas câmeras acopladas às fardas dos agentes, mas o material de vídeo ainda não foi divulgado.  

À medida em que o caso tornou-se público, tocando em feridas tão históricas quanto recentes que envolvem o racismo estrutural e a violência policial nos Estados Unidos, grupos de manifestantes foram às ruas, repetindo, ainda que em menor proporção, os atos vistos em Minneapolis após o assassinato de Floyd, filmado e compartilhado nas redes sociais.  

Durante a noite, cerca de 200 pessoas se reuniram em frente ao departamento de polícia de Brooklyn Center, e agentes dispararam balas de borracha, bombas de gás lacrimogêneo e spray de pimenta contra o grupo. Parte dos manifestantes lançou pedras, sacos de lixo e garrafas de água contra os policiais.  

Em outro ponto da cidade, segundo a imprensa local, um grupo invadiu uma galeria de lojas, e pelo menos 20 estabelecimentos foram saqueados.  

A tensão na cidade está em ascensão devido ao julgamento de Derek Chauvin, um ex-policial branco de Minneapolis que, durante mais de nove minutos, ajoelhou sobre o pescoço de Floyd, um homem negro que estava algemado. A morte do ex-segurança gerou protestos nos Estados Unidos e em todo o mundo contra a brutalidade policial e a injustiça racial.  

No mês passado, os deputados americanos aprovaram um projeto de lei que proíbe táticas policiais controversas e facilita o caminho para ações judiciais contra agentes que violarem direitos constitucionais de suspeitos. O texto ainda precisa ser aprovado pelo Senado.