MORTE DE BRASILEIRO - Polícia tenta encobrir erro, dizem familiares
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domingo, 24 de julho de 2005
Cláudia Lopes<br> Especial para a Folha 
LONDRES - Os primos de Jean Charles de Menezes, o brasileiro morto por engano pela polícia de Londres na última sexta-feira, ao ser confundido com um '''suicida- bomba'', disseram ontem que o incidente ''não vai ficar barato''.
Revoltado, o primo Alexandre Alves Pereira, de 25 anos, que mudou-se para Londres há cerca de 1 ano e meio, disse acreditar que a polícia londrina está tentando acobertar o erro ao afirmar que Menezes teria corrido durante uma perseguição na estação de Stockwell, sul de Londres.
''Meu primo é inocente e não acredito que correria da polícia. Aliás, ele sempre parava para conversar ou pegar informação com policiais'' contou Pereira à Folha de Londrina. ''Jean era animado, amigável, conversava com todo mundo. Ele não tinha motivo prá correr. A polícia está mentindo e isso não vai ficar barato. Vamos tomar as providências legais''.
Pereira não tem idéia de quando o corpo de Jean de Menezes será liberado. ''Talvez no meio desta semana'', disse. Segundo ele, que no sábado reconheceu o corpo do primo no instituto médico legal, a polícia só pede desculpas. ''Eles só sabem fazer isso'', disse. ''Conversei com minha tia no Brasil e ela está chocada, como todo o resto da família''.
O governo britânico afirma que o corpo de Jean é importante até a conclusão das investigações e não dá prazos para a liberação.
Jean de Menezes, da cidade de Gonzaga, Minas Gerais, foi morto na manhã de sexta-feira numa operacao policial que procurava terroristas que teriam colocado uma bomba na estação de Oval, também no sul de Londres, na quinta-feira. Essa bomba não chegou a explodir.
A Scotland Yard vigiava uma casa suspeita em Tulse Hill, ao lado da residência onde o brasileiro morava, no sul de Londres. Por volta das 9h30, ao sair para o trabalho, Menezes foi seguido por policiais à paisana. Apesar de não carregar mochila, o brasileiro teria levantado suspeita por usar casaco de frio numa manhã de verão. O brasileiro tomou um ônibus atá a estação de metrô de Stockwell, sendo abordado pelos policiais ao entrar na estação. A versão da polícia é de que ele teria começado a correr ao ouvir os gritos de ''stop'', pulado as catracas e entrado num trem que acabara de parar na plataforma. Menezes foi morto dentro do trem com cinco tiros na cabeca.
A polícia de Londres admitiu o erro no sábado, afirmando que o brasileiro morto era inocente e que não tinha nenhuma conexão com terroristas. Segundo o primo da vítima, o brasileiro morava na Inglaterra legalmente. ''Ele tinha dupla cidadania'', afirmou Pereira, que não soube dizer qual seria a outra nacionalidade.
Jean de Menezes morava em Londres há mais de três anos e trabalhava como eletricista na zona norte da cidade. Ele residia em Tulse Hill com a prima Patrícia Pereira, que se diz muito abalada e tambám não acredita que o primo teria fugido dos policiais. ''Ele não tinha razão nenhuma pra isso''.


