Buenos Aires O ex-ditador argentino Leopoldo Galtieri, implicado em graves violações aos direitos humanos, que lançou o país na aventura de uma guerra com a Grã-Bretanha em 1982, morreu na manhã de ontem, aos 76 anos, no Hospital Militar Central, informaram fontes médicas.
O ex-general, presidente em 1981 e 1982, estava internado por ter se agravado um câncer de pâncreas do qual sofria há vários anos, ligado a ''uma enfermidade vascular periférica'', explicou a tenente-coronel Alicia Amato, responsável pelo hospital.
Galtieri, um dos símbolos da última ditadura militar (1976-83), foi julgado em 1985 por crimes contra os direitos humanos, mas só foi preso em 1986 em outro julgamento pela acusação de ''incompetência'' como chefe militar na guerra das Malvinas.
Em 1990, um indulto do então presidente Carlos Menem (1989-99) o tirou da prisão, mas no exterior sucederam-se as denúncias por graves violações aos direitos humanos quando foi chefe militar em Rosario (312 km ao norte), as quais o impediam de sair de seu país sob risco de ser detido.
A 11 de julho de 2002, o ex-ditador foi preso, implicado em um processo por sequestro e desaparecimento em 1980 de 20 militantes da dissolvida organização armada Montoneros (peronistas de esquerda), mas os poucos dias passou em prisão domiciliar por ter mais de 70 anos.
Malvinas Quando a crise econômica se aguçava e o descontentamento crescia, e três dias depois que uma imensa manifestação sindical desafiou como nunca antes o poder das armas na histórica Praça de Maio, Galtieri se lançou a ocupar a 2 de abril de 1982 as Malvinas, enclavadas no inóspito Atlântico Sul. Historicamente, os argentinos reivindicam a soberania sobre o arquipélago, o que foi utilizado pelos militares para desviar a atenção do crescente descontentamento. Os argentinos enterraram 652 de seus filhos, mortos numa guerra que lhes diziam estar vencendo e que a 14 de junho entenderam que tinham perdido, ao se assinar a rendição.
A reivindicação popular de recuperar as Malvinas sofreu um novo recuo e o repúdio se voltou contra Galtieri que rapidamente, a 17 de junho, foi destituído pela Junta Militar.

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