Morre Simon Wiesenthal, o 'caçador de nazistas'
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terça-feira, 20 de setembro de 2005
Folhapress 
São Paulo - O arquiteto austríaco Simon Wiesenthal, considerado a ''consciência do Holocausto'' pelo empenho de toda sua vida em perseguir os criminosos do nazismo, morreu na madrugada de ontem em sua casa de Viena (Áustria), aos 96 anos de idade, após conseguir a prisão e o julgamento de mais de 1.100 assassinos nazistas.
Mundialmente conhecido como o ''caçador de nazistas'', Wiesenthal criou seu Centro de Documentação Judaica na capital austríaca em 1947, dois anos depois do final da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e após sobreviver a 12 campos de concentração e extermínio e ser libertado por tropas americanas em Mauthausen, na Áustria.
''Sua nomeação não foi anunciada em entrevista coletiva, não por algum presidente ou primeiro-ministro. Simplesmente assumiu esse trabalho. Foi um trabalho que ninguém quis'', disse uma nota emitida pelo site do Dokumentationzentrum de Viena, embrião dos centros Wiesenthal espalhados pelo mundo.
''A missão era impressionante. O objetivo tinha poucos amigos. Os aliados já se concentravam na Guerra Fria, os sobreviventes tentavam recompor suas destroçadas vidas, e Wiesenthal estava sozinho em seu papel como perseguidor e detetive ao mesmo tempo'', acrescenta a publicação oficial de sua organização.
Wiesenthal será homenageado hoje com um funeral especial no Cemitério Central de Viena, capital da qual era cidadão honorário. O corpo de Wiesenthal, que morreu oficialmente às 4h (23h de segunda-feira em Brasília) de morte natural, será transferido posteriormente a Israel, onde na sexta-feira será enterrado com todas as honras.
Sua ''presa'' mais famosa foi Adolf Eichmann, alto oficial das temidas SS, responsável por organizar o transporte para os campos de extermínio de milhões de judeus de toda a Europa.
Wiesenthal não parou até encontrar uma pista na Argentina, onde Eichmann se escondeu após a guerra com o nome falso de Ricardo Clement, e revelou seu esconderijo ao Mossad (serviços secretos de Israel), que sequestrou o criminoso e o transferiram para o Estado de Israel, onde foi processado, condenado à morte (única condenação desse gênero no país) e executado na forca em 31 de maio de 1962.
Outros conhecidos criminosos de guerra nazistas que foram processados graças a seu trabalho foram o alemão Karl Silberbauer, responsável pela deportação da menina judia Anne Frank, e o austríaco Frank Stengl, comandante do campo de extermínio de Treblinka.


