Morre Santana, líder da resistência timorense
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segunda-feira, 30 de março de 1998
DPA e Reuter 
O líder da guerrilha que luta contra a ocupação do Timor Leste pela Indonésia, Konis Santana, morreu em um acidente de tráfego no dia 11 de março, anunciaram ontem em Lisboa o Prêmio Nobel da Paz de 1996, José Ramos Horta e o chanceler português, Jaime Gama. O governo da Indonésia não confirmou oficialmente a morte do líder guerrilheiro.
Segundo Ramos Horta, coordenador da resistência do Timor no exterior, o acidente ocorreu na região montanhosa do Timor, quando Santana, chefe do grupo rebelde Fretilin, se dirigia a um esconderijo, um dos vários utilizados por mais de 1.200 guerrilheiros que desde 1976 enfrentam 22 mil soldados indonésios que ocupam a ex-colônia portuguesa.
O chanceler português expressou seu pesar em nome do governo de Lisboa pelo desaparecimento de Santana, chamando-o de homem perspicaz e consistente do ponto de vista político que, sem descartar a luta, sempre buscou soluções políticas dignas para o Timor. Konis Santana, de 42 anos, substituiu o líder histórico da resistência de Timor, Xanana Gusmão, quando este foi capturado por soldados do exército indonésio em 1994.
O gigante indonésio invadiu a ex-colônia portuguesa do Timor Leste em 7 de dezembro de 1975, assim que o pequeno território (menor que o Estado de Sergipe) alcançou a sua independência. Segundo a resistência em Timor Leste, a invasão causou a morte de pelo menos 310 mil timorenses, em consequência da guerra, da tortura e da fome. Isso representaria mais de 44% da população existente no território antes da ocupação.
Xanana Gusmão, poeta e líder maior da resistência, preso desde 1992, foi condenado a vinte anos de prisão em Jacarta, capital da Indonésia. Hoje, apenas 1% da população do Timor Leste fala o português, uma língua proibida pelos indonésios na ilha.
Em 1975, ano da invasão, os Estados Unidos aumentaram em 450% o envio de armas para a Indonésia conforme acusação da resistência.
Apoiada pelas grandes potências, sobretudo pelos Estados Unidos, a Indonésia continua a desrespeitar as resoluções das Nações Unidas exigindo a retirada das tropas invasoras e a autonomia do território. Carlos Ximenes Belo, bispo de Dili, capital do Timor Leste, e o jornalista José Ramos-Horta, representante do líder Xanana Gusmão no exterior, receberam o Prêmio Nobel da Paz 96. (Calaborou Marcos Cesar Gouvea)


