Morre pivô de disputa na Itália
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terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Folhapress 
São Paulo- A italiana Eluana Englaro, em estado vegetativo havia 17 anos e pivô de uma disputa que opôs o governo conservador do primeiro-ministro Silvio Berlusconi, apoiado pelo Vaticano, ao Judiciário e ao presidente da República da Itália, morreu ontem, aos 38 anos.
Sua morte ocorre após meses de manobras políticas de Berlusconi para tentar evitar o cumprimento da decisão da máxima corte de Justiça italiana, que em novembro passado deu ganho de causa à família de Englaro e autorizou o desligamento, iniciado na última sexta-feira, do processo de alimentação e hidratação artificial que a mantinha viva.
Berlusconi chegou a ameaçar mudar a Constituição e tentou, na sexta, passar um decreto-lei vetando o procedimento autorizado pela Justiça -o presidente do país, Giorgio Napolitano, de cuja assinatura a lei dependia para ter validade, considerou no entanto que a iniciativa era inconstitucional. O premiê manifestou ''profundo pesar'' por não ter conseguido salvar a vida de Englaro.
Anunciada no Senado enquanto se discutia um projeto de lei ordinário apresentado pelo governo depois do fracasso da tentativa de decreto -que, com texto idêntico, proíbe a interrupção da alimentação em pacientes incapazes de expressar sua vontade-, a notícia não pôs fim à disputa entre a coalizão governista e a oposição em torno do caso.
Após ter sido feito um minuto de silêncio, o senador Caetano Quagriello, aliado de Berlusconi, afirmou que ''Eluana não morreu; foi assassinada''. Outro parlamentar, Maurizio Gasparri, disse se tratar ''claramente'' de um caso de eutanásia.
A legislação italiana não reconhece o direito à eutanásia, embora a jurisprudência autorize aos pacientes o direito de não se alimentar. Ontem o ministro da Saúde, Maurizio Sacconi, pediu que o país aprove o projeto de lei que barra interrupções de alimentação ''para que o sacrifício de Eluana não seja inútil''.


