Após permanecer seis semanas em estado de coma por causa de um derrame sofrido em 2 de abril, morreu ontem o ex-primeiro-ministro japonês Keizo Obuchi, de 62 anos. Ainda ontem, Yoshiro Mori, que assumiu o cargo de primeiro-ministro em 5 de abril, anunciou a antecipação das eleições gerais japonesas de 19 de outubro para 25 de junho, dia do aniversário de Obuchi.
O apelo emocional embutido na escolha da nova data, segundo análises de observadores, deve ajudar o partido do governo, o Liberal Democrata, a obter mais cadeiras no Parlamento japonês.
Vários chefes de Estado já enviaram condolências ao povo japonês, entre os quais o presidente norte-americano Bill Clinton, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, seu antecessor, Boris Yeltsin, o presidente da França, Jacques Chirac, e o primeiro-ministro canadense Jean Chretién. Líderes de diversos países asiáticos também enviaram suas condolências.
Obuchi assumiu o cargo de primeiro-ministro em julho de 1998, com um baixíssimo índice de popularidade. Muitos consideravam que ele não era apto para assumir o cargo de tamanha importância. Alguns meses depois reverteu essa situação, tomando decisões importantes.
Adotou uma política econômica eficaz, evitando que o país mergulhasse em uma grave recessão econômica. Sua popularidade, no entanto, caiu um pouco quando ele decidiu firmar aliança com o Partido Liberal, que protege a seita Soka Gakkai, de tendências totalitárias.
Obuchi morreu às 16h07 (4h07, horário de Brasília) no hospital Juntendo em Tóquio, onde estava hospitalizado em coma desde o mês passado, informou Michiko Shimizu, do gabinete administrativo de Obuchi. Relatórios preliminares informavam que sua pressão sanguínea havia caído muito e que ele não respondia à medicação para estimular a circulação.
A morte de Obuchi ocorreu um dia depois de diversos meios de comunicação informarem que as condições de saúde do ex-primeiro-ministro haviam se agravado, citando fontes não identificadas do hospital onde ele estava internado. Muitos políticos importantes cancelaram seu planos de deixar Tóquio no final de semana. O governo vinha se negando a fornecer informações sobre o estado de Obuchi, atitude muito criticada tanto pela população quanto pela mídia japonesas.

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